Polícia Civil diz que nenhuma mulher está entre os m*rtos na megaoperação do RJ, e que corpo atribuído à Japinha era de um homem da Bahia

A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro divulgou nesta terça-feira que nenhuma mulher foi identificada entre os mortos durante a megaoperação realizada nos complexos da Complexo do Alemão e da Complexo da Penha, no dia 28 de outubro.

Segundo comunicado oficial, o corpo que havia sido atribuído à mulher conhecida como Penélope — apelidada “Japinha do CV” — não é dela, e sim de um homem identificado como Ricardo Aquino dos Santos, 22 anos, natural da Bahia, com dois mandados de prisão em aberto.

A ação policial, a mais letal até agora no estado do Rio, resultou em 121 mortes, entre elas quatro policiais.  O governo estadual divulgou, no último domingo, lista preliminar com 115 identificados dentre 117 registrados. Desses, nenhum tinha nome feminino.

No comunicado, a Polícia Civil afirmou que, “diferentemente do que foi divulgado na mídia e em redes sociais”, não havia nenhuma mulher entre os opositores mortos na operação. A nota mencionou que a imagem compartilhada era do corpo de Ricardo Aquino dos Santos.

A identificação incorreta tomou corpo após uma imagem de um cadáver, vestido com roupas camufladas e com um tiro no rosto, ser divulgada em grupos de redes sociais e mensageiros como supostamente sendo “Japinha do CV”.  A mulher, apontada como integrante da linha de frente da facção Comando Vermelho, chegou a ter publicações de familiares lamentando a morte e solicitando que as imagens não fossem compartilhadas.

Entretanto, ao checar as listas oficiais, não consta o nome de Penélope entre os mortos. Diante disso, a hipótese de que ela continua viva permanece em aberto.

A divulgação de fotos de perfis femininos que supostamente estariam envolvidas na facção, e a circulação de perfis falsos nas redes sociais, também complicam o cenário de verificação. Em um dos áudios atribuídos à “Japinha”, ela nega ter sido morta e chega mesmo a ironizar a notícia.

O corpo de Ricardo Aquino dos Santos, conforme a polícia, vestia uniformes que haviam sido atribuídos à “líder feminina”. Essa vestimenta camuflada e o tiro no rosto foram usados como indício para a identificação falha. A abordagem policial, por sua vez, buscava desarticular ramificações do Comando Vermelho em favelas da zona norte do Rio.

Fontes oficiais informam que 54% dos mortos na operação eram de fora do estado do Rio de Janeiro.  O fato de o jovem baiano ter sido confundido com “Japinha” evidencia não só a complexidade da operação, como também a rapidez e volume das informações veiculadas após o confronto.

Especialistas em segurança pública ouvidos pela reportagem apontam que erros de identificação e rumores nas redes sociais em contextos de operações de grande escala não são incomuns, principalmente quando há circulação massiva de imagens e tentativas de viralização.

A superlotação das listas de mortos e a necessidade de bastantes perícias para confirmação individual revelam gargalos na estrutura de investigação e no fluxo de comunicação das forças de segurança, segundo analistas. Em especial, destaca-se a necessidade de cautela antes de divulgar nomes ou imagens de vítimas.

Para familiares, a confusão gera dor e aumenta o trauma. No caso da “Japinha do CV”, a irmã chegou a publicar: “Por favor, parem de postar as fotos dela morta. Eu e minha família estamos sofrendo muito”.  Essa manifestação reforça o impacto humano por trás do noticiário.

Do ponto de vista institucional, o episódio expõe desafios na articulação entre divulgação pública e rigor técnico. A Polícia Civil busca reforçar que a divulgação de “não havia mulher morta” visa evitar disseminação de desinformação e preservar o cuidado com os dados da operação.

O governador do estado, Cláudio Castro (PL), que havia anunciado a operação como um marco de enfrentamento à facção, também é cobrado por adversários por clareza nos dados e pela proporção da ação. Várias entidades de direitos humanos já manifestaram preocupação com o elevado número de mortos.

Nas redes sociais, entretanto, há perfis que afirmam que a mulher estaria “fingindo a própria morte” como estratégia de fuga ou despiste. Esse tipo de narrativa, embora não confirmada, tende a ganhar tração em ambientes de alta tensão informacional.

Até o momento, nenhuma fonte oficial confirmou qual seria o paradeiro de Penélope. A continuidade de investigações, liberação de perícias e checagem de DNA poderão ser fundamentais para esclarecer o que de fato ocorreu.

À medida que o caso avança, o episódio serve como lembrança da necessidade de verificação rigorosa da identidade de vítimas em megaoperações, sobretudo em contextos onde as disputas de poder e narrativas se entrelaçam com redes sociais, facções e comunicação instantânea.

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