Pai lamenta morte do filho de 14 anos em megaoperação e diz que tentou afastá-lo do crime: “Ele tava iludido”

O lamento de um pai pela morte do filho de 14 anos, abatido em uma megaoperação policial, e sua dolorosa confissão — “ele tava iludido” — é a mais cruel das radiografias sobre o fracasso do Estado e a eficácia do recrutamento do crime.

A tragédia não é apenas a perda de uma vida; é o colapso de uma família que lutou contra uma força social e econômica maior que ela: a máquina de sedução e morte do Comando Vermelho.

Aos 14 anos, o adolescente não escolhe o crime por ideologia; ele é cooptado por uma ilusão de poder, dinheiro fácil e pertencimento que a vida legal na favela nega.

O depoimento do pai é o atestado de que o Estado perdeu a batalha da atratividade: a promessa do fuzil e do boné virado foi mais potente que o apelo da escola e do trabalho honesto.

O crime organizado vende uma identidade pronta, um uniforme e um propósito imediato, preenchendo o vazio deixado pela ausência de oportunidades e de perspectivas de futuro.

“Ele tava iludido” — essa frase é a chave. Revela que o tráfico não é apenas um negócio, mas uma fábrica de mitos que usa a ostentação e a violência como ferramentas de recrutamento juvenil.

O pai tentou afastar o filho do crime, mas a pressão do meio, a proximidade da arma e a cultura de valorização da marginalidade foram mais fortes do que a autoridade familiar.

O Estado falhou duplamente: primeiro, ao não oferecer uma alternativa de vida digna que competisse com a sedução do crime; segundo, ao só aparecer no fim, com a força letal.

O adolescente morre como uma baixa de guerra, um soldado descartável no exército do tráfico, que usa a juventude como linha de frente barata e facilmente substituível.

A megaoperação, por mais necessária que seja para reprimir, transforma esses jovens em alvos. A morte aos 14 anos é o preço máximo pago pela falência da política social.

O ciclo é vicioso e trágico: o Estado se ausenta, o tráfico ilude e recruta, e a polícia entra para reprimir, ceifando a vida que o Estado deveria ter salvo antes.

A dor do pai é o lamento de toda uma comunidade que vê seus filhos sendo devorados por uma estrutura que transforma a esperança em um carregador de fuzil.

O que o caso expõe é a urgência de uma política de segurança que vá além do confronto tático. É preciso desmantelar a capacidade de marketing e recrutamento do crime.

Não basta prender o líder; é preciso anular a atratividade do crime para o jovem de 14 anos, mostrando que a lei oferece um caminho mais digno e duradouro do que a ilusão fatal.

A morte desse garoto não é apenas uma estatística da megaoperação; é a sentença de morte da esperança na periferia brasileira.

O verdadeiro inimigo é o sistema que permite que a ilusão do crime seja a única porta de entrada para a ascensão social na visão de um adolescente.

A voz do pai é um apelo final: que a sociedade e o poder público parem de contar apenas os mortos e comecem a contabilizar os meninos que estão sendo perdidos para a ilusão.

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