TRAGÉDIA: Passageira em carro de aplicativo morre após ser balead* na cabeça durante tiroteio no Rio

O que a morte de Bárbara Elisa Yabeta Borges, atingida no trânsito da Linha Amarela, revela sobre a falência da segurança pública no Rio de Janeiro? Não é apenas a fatalidade de um tiro perdido, mas o colapso do que chamamos de “fronteira urbana”.

O tiroteio entre facções na Vila do Pinheiro, na Maré, transbordou para uma das principais vias expressas da cidade. Isso indica que não há mais “lado de cá” e “lado de lá”.

O morro não está mais isolado; o front de batalha agora se estende até o asfalto que liga a Zona Oeste à Ilha do Governador. A tragédia se espalha pela artéria vital da metrópole.

A Linha Amarela, concebida como um atalho de progresso, tornou-se a trincheira de um conflito que antes se limitava a vielas.

A geografia da violência mudou, e o público “alvo” ampliou-se de forma indiscriminada. Quem paga o preço é o passageiro do carro de aplicativo, o trabalhador que tenta chegar em casa.

Este episódio rasga o véu de uma narrativa cômoda: a de que a violência da favela é um problema contido.

Não está contido. Ele é líquido, escorre pela marginalidade e inunda o espaço público que deveria ser o de maior circulação e segurança.

O confronto entre facções rivais em plena luz do dia e em um ponto nevrálgico da cidade é o sintoma de uma audácia criminosa que não teme a repressão, nem respeita limites geográficos.

Isso nos leva ao ponto de ceticismo: a Polícia Militar afirma ter atuado no local, apreendendo um fuzil e encontrando dois feridos. Mas a pergunta é: por que a guerra sequer começou ali?

A presença do Estado, em grande parte, é reativa, não preventiva. É uma força-tarefa de contenção de danos, não de estabelecimento permanente da lei.

Quando o Estado se ausenta da vigilância contínua e da inteligência sofisticada, o espaço vazio é preenchido pelo poder paralelo, que passa a ditar o horário e o local do próximo confronto.

O tiroteio na Linha Amarela, onde o projétil atinge o crânio de uma cidadã alheia ao conflito, é a metáfora mais cruel da impotência estatal.

É como se a cidade estivesse sob um bombardeio aleatório, onde o destino é decidido pela trajetória balística, e não pela lei.

O que se quebra com a morte de Bárbara não é apenas uma vida; é o pacto fundamental de mobilidade e segurança na metrópole.

A Linha Amarela é a prova de que a “pacificação” foi uma miragem. O que existe é uma interrupção temporária, um cessar-fogo imposto, e não o domínio permanente do Estado.

O verdadeiro dilema é que a cidade só se sente ameaçada quando o caos toca o asfalto. A morte de civis dentro das comunidades, embora diária, não gera a mesma comoção.

A tragédia na via expressa é um lembrete violento de que a segurança é uma rede, e quando um ponto falha na periferia, a malha se rompe no centro.

A investigação da Polícia Civil é vital, mas o foco não pode ser apenas o tiro que matou. Deve-se investigar a raiz: por que o Complexo da Maré se mantém como um quartel-general de facções?

Enquanto o Estado focar em “secar o gelo” — apreender armas após o tiroteio —, em vez de “fechar a torneira” do poder criminoso, a Linha Amarela continuará sendo uma roleta-russa.

A lição é dura: o Rio de Janeiro não tem como ter prosperidade e vida normal se suas artérias principais forem zonas de guerra.

A morte de Bárbara é o atestado de que a impunidade do crime organizado já rompeu todas as barreiras físicas e simbólicas. A próxima vítima pode estar em qualquer carro, a qualquer hora.

A pergunta que fica é: até onde o carioca aceitará viver sob a incerteza de ter sua rota diária transformada em um campo minado? Qual é o custo tolerável dessa “não-fronteira” da violência?

O Rio de Janeiro precisa urgentemente de uma estratégia de segurança que redefina o que é espaço público e restabeleça a soberania do Estado onde hoje impera a lei do fuzil.

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