Paraguai anuncia que irá declarar PCC e CV como terroristas e ativa alerta na fronteira

O governo paraguaio anunciou que vai reconhecer o PCC e o CV como organizações terroristas, formalizando a medida via decreto e ativando alerta máximo na faixa fronteiriça com o Brasil. 
A decisão se dá num contexto de reforço da vigilância de fronteira e de cooperação regional, especialmente após grande operação policial no Brasil associada ao CV.


Por que isso importa

  1. Reconhecimento legal e simbólico: Classificar facções criminosas — que normalmente são tratadas como “tráfico”, “crime organizado” — como terroristas altera o enquadramento jurídico, abre possibilidades de cooperação internacional mais intensa, e muda o discurso estatal.

  2. Fronteira como linha de vulnerabilidade: O Paraguai é país de extensa fronteira com o Brasil, e já historicamente vulnerável a movimentações ilícitas, invasões de rota de tráfico e influência de facções brasileiras. Essa medida sinaliza que o governo vê isso como uma ameaça de segurança nacional, não apenas de criminalidade interna.

  3. Pressão sobre o Brasil e repercussão regional: A ação paraguaia também poderá refletir internamente no Brasil — seja em termos de cooperação, de cobrança internacional ou de imagem. Pode gerar impactos para políticas de segurança, migratórias ou de relacionamento trilateral (Brasil-Paraguai-Argentina).

  4. Ceticismo e risco de “efeito teatral”: É preciso questionar se a medida terá real impacto operacional ou se será mais simbólica. A designação “terrorista” pode permitir ofensivas mais duras, mas também pode gerar consequências imprevistas – como militarização da fronteira, pressões diplomáticas e potenciais violações de direitos.


Como pode funcionar na prática

  • O decreto, ao classificar essas organizações como terroristas, permitirá ao Paraguai utilizar instrumentos legais mais amplos: congelamento de bens, apreensão de ativos, cooperação com agências internacionais de antiterrorismo.

  • Haverá reforço de patrulhamento, monitoramento reforçado de postos fronteiriços, unidades das Forças Armadas e da polícia mobilizadas, principalmente na “faixa leste” da fronteira.

  • As facções, que já operam transnacionalmente via rotas de tráfico, contrabando e assentamentos fronteiriços, serão vistas sob nova luz — o que pode mudar como Brasil e Paraguai compartilham inteligência, prendem membros ou bloqueiam redes.

  • Mas há ainda um desafio prático grande: o simples decreto não desmantela o aparato logístico, social e econômico dessas organizações. Ele depende de execução, recursos, coordenação e, sobretudo, senso político de longo prazo.


E daí? O que está em risco ou pode acontecer

  • Polarização política: No Brasil, isso poderá ser usado como mais um argumento em debates sobre segurança, fronteira, facções, influência regional. Pode reforçar narrativas de “invasão do crime” ou “ameaça externa” sobre o Brasil.

  • Direitos humanos e legalidade: A designação de “terrorista” traz consigo riscos de excesso de poder (militarização, prisões preventivas, estado de exceção). A sociedade civil deve observar se as liberdades são preservadas.

  • Reorganização das facções: Diante de maior pressão, o PCC e o CV podem migrar táticas: operar em células menores, movimentar ativos para outros países, descentralizar. O que pode tornar a repressão mais difícil.

  • Escalada militar ou securitária: A fronteira pode se tornar zona de contenção mais agressiva — em vez de zona de cooperação — o que pode impactar comunidades de fronteira, comércio local, migração informal.

  • Impacto sobre o Brasil-Paraguai: Se o Paraguai reforçar seu papel, o Brasil poderá ser cobrado por via diplomática para atuar em conjunto. Ou poderá haver tensões se medidas prejudicarem brasileiros ou interesses brasileiros na fronteira.


Minha perspectiva crítica

Vejo a medida como um sinal positivo no sentido de que o Paraguai assume coragem política para lidar com um problema complexo, mas cautelosamente arriscado em relação à execução e às consequências.
O risco maior não é o decreto em si, mas que ele sirva como máscara simbólica para pouco mais do que reforço de retórica, sem endereçar as raízes: controle territorial, cooperação de inteligência, economia ilegal, corrupção local, vínculo social das facções.
Além disso, torna-se urgente não “glorificar” a medida como vitória automática contra o crime — porque isso daria uma narrativa simplista: “colocamos no papel = resolvemos”. Não resolve.
Se o Brasil ficasse “assistindo” ao vizinho agir e não fizesse corresponder com políticas eficazes, poderíamos ver o Paraguai se tornar um “amortecedor” para o crime que o Brasil não conseguiu conter.
Por fim: se a figura do “terrorismo” for aplicada de forma indiscriminada, corre-se o risco de diluir o conceito, com gente sendo tratada como terrorista sem estrutura de rede terrorista real — o que me parece pouco investigado até agora nesse caso.

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