O que começou como uma onda tropical originária na África Ocidental evoluiu para um nome que agora carrega peso fora dos mapas meteorológicos: o Furacão Melissa.
Quando ventos de categoria 5 — com rajadas próximas ou superiores a 295 km/h — atingem o Caribe e se aproximam de Cuba, uma “temporada de furacões” deixa de ser evento e vira crise.
Melissa é parte da Temporada de furacões no Atlântico de 2025, que já se tornou uma espécie de palco para extremos inesperados.
E o “normal” costumeiramente agora significa “inarquivável risco”.
O que sabemos até agora
O sistema se formou a partir de uma onda tropical monitorada desde 16 de outubro.
Em poucos dias, ganhou força rapidamente — de tempestade tropical para furacão de categoria 5.
Atingiu com intensidade grande partes do Caribe: Jamaica, Cuba — provocando inundações, deslizamentos e interrupções de serviços básicos.
Por que isso importa
Primeiro, porque o impacto não é apenas “vento forte”.
Quando estruturas frágeis, comunidades com infraestrutura precária, ilhas vulneráveis entram no caminho de um furacão com essa força, o custo humano é imediato e brutal.
O relato de casas submersas, estradas bloqueadas, áreas rurais isoladas compromete a ideia de “efeito limitado”.
Segundo, porque Melissa nos obriga a olhar para além da contagem de categorias:
Qual a resiliência das comunidades caribenhas que sofrem as primeiras ondas, mas depois enfrentam reações tardias do sistema de emergência?
Como uma tempestade que atinge 295 km/h pode deixar rastros que se estendem meses, talvez anos?
E o que isso diz sobre o “novo normal climático” — onde o que era raro já não é mais?
Uma pergunta que ecoa
A ciência nos mostra que o aquecimento dos oceanos, a mudança de padrões atmosféricos e o aumento da umidade em latitudes tropicais favorecem o surgimento de ciclones mais potentes.
Se isso é verdade — e os dados indicam que sim — então Melissa não é um acidente: é um aviso.
E se for aviso, o que estamos fazendo com isso?
Intervenimos apenas reativamente, ou estamos repensando como construir, como proteger, como viver nesses territórios que se tornaram zona de risco?
Projeção e reflexão
Se a temporada ainda não terminou, é possível que outros sistemas venham.
Se o Caribe, Cuba, ilhas menores tiveram impacto agora, o efeito dominó alcança economia, migrações internas, saúde pública e danos cumulativos ignorados.
E quando o Brasil observa à distância, o que vê? Possivelmente uma lição — e um espelho: mesmo que não sejamos diretamente atingidos por Melissa agora, o hemisfério sul enfrenta mudanças que merecem preparação semelhante.
Se uma “temporada normal” vira cenário extremo, estamos preparados para o próximo Melissa?
Conclusão
O Furacão Melissa não é apenas mais uma linha na cronologia de tempestades.
Ele é o prenúncio de uma era em que o imprevisível torna-se rotina — e em que “fazer o básico” passa a significar “sobreviver melhor”.
Porque, no fim, a pergunta não é apenas quando o próximo furacão vem — mas como chegaremos até ele.
E se chegaremos prontos, ou mais uma vez pegos de surpresa.

