ONU defende uma reforma policial no Brasil após megaoperação no Rio de Janeiro

A última terça-feira (28) no Complexo do Alemão e no Complexo da Penha, no Rio de Janeiro, registrou não apenas mortes — registrou um limiar.
Oficialmente, 64 mortos (incluindo quatro policiais) e 81 presos. Mas indícios apontam que o número de óbitos pode ultrapassar os 100.

A ONU não mediu palavras.
Em comunicado, declarou estar “horrorizada” com a operação, alertando para a “tendência de consequências letais extremas das operações policiais em comunidades marginalizadas do Brasil”.

Mas estranha-se que a “reforma policial” – expressão usada por alguns veículos para sintetizar a demanda — ainda não seja central no debate público interno.
Se o aparato estatal assume a força como método, a comunidade internacional exige transformação estrutural.

Há três vetores principais para essa reflexão:

1. O modo de operar da segurança pública
A empregada de mais de 2 500 agentes, uso de veículos blindados, helicópteros, até drones — uma configuração bélica. 
Quando operações se desenrolam como confrontos militares, quem está sendo protegido? E quem está sendo sacrificado?

2. A seletividade social e espacial
As intervenções concentram-se em favelas, periferias, espaços historicamente vulneráveis. A ONU pontua isso claramente: “comunidades marginalizadas do Brasil”. 
É plausível tratar esses territórios como “zonas de guerra” sem reconhecer que ali vivem cidadãos brasileiros com direitos plenos?

3. O custo político e moral para o Estado Brasileiro
Quando a justiça internacional pressiona por investigações “rápidas e eficazes”, o que se espera de um poder público que celebra “respostas à altura” em linguagem bélica?
Se o Brasil quer credibilidade global, não basta fiar-se na força — é preciso mostrar controle, transparência e respeito à vida que não combine com espetáculo.

A “reforma policial” — como demanda da ONU — significa mais do que treinar agentes ou comprar viaturas.
Significa repensar a lógica da “incursão letal”, instaurar supervisão independente, garantir que o uso da força seja logística e juridicamente calibrado, e romper com o ciclo letal que se repete.

Enquanto isso não ocorre, o Rio de Janeiro (e o Brasil) servem como palco internacional de um modelo que parece mais pulverizar do que pacificar — mais exterminar do que proteger.
E a pergunta que fica: como reconectar um Estado que se anuncia de direito com práticas que se confundem com guerra urbana?

Na era das redes sociais e das câmeras on-line, a letalidade não se esconde mais — ela vira manchete global, constrangimento diplomático e possível marco de ruptura política.
Se o Brasil quiser virar protagonista; não basta sair nas capas dos jornais. Precisa redefinir o padrão das operações, e demonstrar que justiça não mata para proteger.

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