“O mundo não aceita uma nova Guerra Fria e estaremos do lado dos Estados Unidos e da China”, Lula afirma na Malásia

Um pronunciamento aparentemente paradoxal transformou-se em ponto de inflexão na política externa do Brasil.
Lula afirmou, em Kuala Lumpur, que “o mundo de hoje não aceita mais uma nova Guerra Fria” e que o Brasil busca estar “ao lado dos Estados Unidos, da China, da Malásia, da Indonésia… de todos os países que queiram fazer negócio conosco”.
Essa frase, proferida no âmbito da 47.ª Cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), não foi mero discurso diplomático — ela revela uma mudança calculada de posicionamento estratégico.

1. Qual é o papel real dessa declaração?

O Brasil insiste em se desvincular do papel de “aliado automático” de um ou de outro bloco.
Lula já havia dito, em abril de 2025, que “não quer fazer opção entre os Estados Unidos e a China”, mas sim negociar com todos.
Agora, ao reafirmar essa lógica em solo asiático, ele sinaliza que o país busca mais do que neutralidade: busca protagonismo econômico e diplomático.

2. Por que o contexto asiático importa aqui?

Estar na Malásia, em meio à Asean, não é simbólico apenas geograficamente.
É indicativo de que o Brasil quer se inserir no eixo da Ásia-Pacífico como ator relevante — não apenas como fornecedor de commodities, mas como parceiro estratégico.
Isso abre espaço para que empresas brasileiras acessem novos mercados e reforça a ideia de multipolaridade que o governo defende.

3. O “lado dos EUA e da China” — como interpretar?

A frase pode confundir: estar “ao lado” dos dois gigantes rivais soa contraditório.
Mas se entendida como “ter relações positivas com ambos”, ela faz sentido.
O Brasil evita se tornar campo de disputa, quer ser campo de cooperação.
Na prática: mais comércio, menos tutela; mais investimento, menos espionagem.

4. E o “não aceitamos a nova Guerra Fria”?

O alerta de Lula é duplo.
Por um lado, responde à pressão estadunidense para que o Brasil escolha blocos — econômica ou ideologicamente.
Por outro, sinaliza à China que o Brasil não será instrumento de contenção, mas parceiro pragmático.
Em breve: a diplomacia brasileira vai na contramão da polarização.

5. Quais são os riscos e incógnitas?

– Transparência: como garantir que o Brasil mantenha autonomia e não caia em dependência comercial ou tecnológica?
– Realismo: os interesses dos EUA e da China não são iguais nem conciliáveis — haverá tensões inevitáveis.
– Coerência doméstica: políticas externas ambiciosas exigem coordenação com educação, infraestrutura e investimento interno, ou correm o risco de soar superficial.

6. O “e daí?” para o Brasil

Se bem executada, essa estratégia pode multiplicar parcerias, atrair investimento estrangeiro e dar ao Brasil voz ampliada em fóruns globais.
Mas, se mal articulada, pode gerar descrédito internacional — “quer negociar com todos” pode virar “ninguem sabe o que somos”.
Para a sociedade brasileira, isso significa que o país está tentando não apenas exportar soja ou minério, mas exportar projeção.

7. Conclusão

Lula não está falando de posições permanentes, mas de opções práticas: ficar ao lado dos que querem crescimento, não da contestação automática.
A diplomacia brasileira está tentando se reinventar — talvez rumo a um “brasileiro-multipolar”, em vez de “brasileiro-aliado”.
Se conseguir, poderá alavancar não só parceria econômica, mas também rede de influência.

A grande pergunta que fica: será que o Brasil está pronto para ser protagonista mundial e não apenas dependente?
Se sim, esse discurso pode marcar o início de uma era diferente — se não, será apenas mais um protocolo diplomático.

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