O Senado gasta R$47 milhões no aluguel de 79 SUVs de luxo com teto solar

O Senado Federal deu um salto significativo em seus gastos com a frota oficial de veículos. A Casa passou a alugar 79 SUVs de luxo e uma minivan adaptada para pessoas com deficiência, em um contrato que custa R$ 796,5 mil por mês — mais que o dobro do valor desembolsado anteriormente, de R$ 377,8 mil mensais.

O novo contrato representa uma elevação expressiva nos custos e também na categoria dos automóveis. Antes, os senadores e servidores de alto escalão utilizavam modelos sedan; agora, a frota será composta por SUVs com acabamento premium, teto solar, sistema multimídia avançado e conectividade integrada com Wi-Fi nativo e Google Assistente.

A mudança de perfil dos veículos reacendeu o debate sobre o uso de recursos públicos em tempos de contenção orçamentária e crise econômica. Enquanto o país enfrenta desafios fiscais e milhões de brasileiros ainda sofrem com cortes em políticas sociais, o aumento no gasto com carros oficiais chama atenção e gera críticas.

Segundo informações do próprio Senado, a justificativa para a substituição da frota é o “custo-benefício e a necessidade de atualização tecnológica e de segurança dos veículos”. No entanto, críticos afirmam que a troca reflete mais uma busca por conforto e status do que uma real necessidade institucional.

Os novos SUVs contam com motor 1.5 turbo de 177 cavalos, câmbio automático e sistemas de direção e frenagem assistida. Internamente, oferecem acabamento em couro, central multimídia inteligente e integração com comando de voz. Cada detalhe reforça o caráter de luxo da nova frota.

Especialistas em gestão pública apontam que o aumento dos gastos fere o princípio da economicidade, previsto na administração pública. “É um gasto difícil de justificar. O Senado poderia optar por modelos mais econômicos e funcionais, sem comprometer a segurança ou o desempenho”, afirma um analista de orçamento ouvido pelo portal.

Nas redes sociais, o tema rapidamente gerou repercussão. Internautas criticaram o contraste entre o discurso de austeridade e as práticas de consumo do Legislativo. “Enquanto o cidadão pega ônibus lotado e enfrenta buracos nas ruas, senador desfila de SUV com Wi-Fi”, ironizou um usuário do X (antigo Twitter).

Outros lembraram que o Senado, assim como outras instituições públicas, vem ampliando despesas com benefícios indiretos, como diárias, passagens aéreas e aluguel de veículos. Em 2024, o gasto com locação de carros já havia subido 18% em relação ao ano anterior.

Apesar das críticas, a Mesa Diretora do Senado defende o contrato e afirma que ele seguiu todos os trâmites legais. Segundo nota oficial, houve licitação e a escolha se baseou em critérios técnicos e de eficiência. O documento reforça ainda que o contrato prevê manutenção, seguro e assistência 24 horas, o que justificaria parte do valor elevado.

Mesmo assim, a diferença de mais de R$ 400 mil mensais em relação ao contrato anterior levanta dúvidas sobre a proporcionalidade dos custos. Se o contrato for mantido durante os 12 meses previstos, o gasto total ultrapassará R$ 9,5 milhões ao ano — o suficiente para financiar projetos de infraestrutura em pequenas cidades.

A polêmica também reacende o debate sobre a cultura de privilégios no poder público. Para muitos analistas, o caso simboliza a distância entre os representantes eleitos e a realidade da maioria dos brasileiros. “É um exemplo clássico de como o poder político, muitas vezes, se descola do senso de urgência e da responsabilidade fiscal”, comenta um cientista político.

No fim, a decisão do Senado reforça um velho dilema da política brasileira: a dificuldade de conciliar modernização institucional com o uso responsável do dinheiro público. Enquanto isso, os novos SUVs de luxo já começam a circular por Brasília, exibindo potência, conforto e um preço que pesa no bolso do contribuinte.

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