A lembrança de que a democracia ainda respira por fios finos veio de um lugar inesperado — o Superior Tribunal Militar (STM).
Ao afirmar que “não podemos permitir que a ditadura retorne”, uma ministra daquela corte ressurge no debate público com uma frase curta, mas carregada.
Não é retórica vazia. O STM, corte que julga membros das Forças Armadas por crimes militares, tem vínculos históricos com regimes autoritários e episódios de exceção no Brasil — o acervo simbólico de sua jurisdição carrega o peso da memória.
Embora a notícia original não exponha o nome da ministra em manchetes amplas, seu posicionamento prendeu atenção pelo contraste com a complacência institucional com que muitas vezes lidamos com ameaças democráticas aparentemente sutis.
Tal afirmação em tom solene — não em pronunciamento político, mas de autoridade judicial — ergue-se como um alerta alto: quando o aparato de segurança e justiça assinala o risco, não se trata de histeria, mas de vigilância antecipada.
Essa fala não surge num vácuo. Vivemos um momento em que vertentes políticas admitem discursos de ruptura institucional como tragédia inevitável ou insatisfação legítima insubordinada. Dizer “não à ditadura” em uma corte militar é retomar a função profética do Judiciário.
Ocorre que o Brasil não é inimigo do passado — mas, frequentemente, refém dele.
Em ambientes jurídicos e militares, a linha entre ativismo judicial e intervenção autoritária é tênue. E esse tipo de frase faz estremecer essa linha.
Se a ministra diz “não podemos permitir”, ela positiona o STM como guardião simbólico da ordem republicana — não apenas árbitro de casos militares, mas voz institucional contra gestos antidemocráticos.
Mas há riscos nessa postura.
Quando ministros se tornarem porta-vozes de narrativas políticas (ainda que legítimas), perdem parte da autoridade isenta que se espera de tribunais superiores.
Também é um recado para o Legislativo: se o Parlamento vacila em agir contra ameaças à democracia, outras instituições — como o Judiciário — perceberão condição para intervir, e isso pode tensionar ainda mais o pacto de freios e contrapesos.
Para o cidadão, a frase deve ser entendida como convite ao monitoramento permanente, não à passividade.
Democracia não é regime polido: é sistema que exige cobrança ativa, vigilância contínua e memória irredutível.
Talvez esse seja o legado — maior do que qualquer decisão jurídica: lembrar que a ditadura não está só no passado, mas quando esquecemos que ela pode retornar.
E que, mesmo no ambiente militar, há quem ainda sussurre: “isso não pode voltar”.
Se quiser, posso produzir uma versão desse artigo no formato de coluna opinativa, com sugestões de como a sociedade civil pode responder a esse tipo de fala institucional — você quer isso?

