Empresa alemã que fabrica escada elevatória usada no roubo ao Louvre faz propaganda: “Movimento rápido e silencioso”

Poucas histórias misturam com tanta ironia o mundo do crime, da arte e da publicidade quanto o recente episódio do roubo ao Museu do Louvre, em Paris.
A ousadia dos ladrões, que usaram uma escada elevatória alemã para fugir com joias avaliadas em 88 milhões de euros, virou — pasme — peça de marketing.

A empresa responsável pelo equipamento, Böcker Maschinenwerke GmbH, decidiu não se esconder do episódio.
Em vez disso, lançou uma campanha com o slogan provocador: “Quando você precisa se mover rápido”.

A imagem usada? A própria cena do crime — sua escada erguida até a varanda da Galeria de Apolo, onde as joias desapareceram em minutos.
E o complemento do anúncio parece feito sob medida para o sarcasmo: “O Böcker Agilo transporta seus tesouros a 42 metros por minuto — silencioso como um sussurro.”

A jogada publicitária é um exemplo notável de marketing de oportunidade, estratégia que consiste em transformar situações imprevistas em visibilidade positiva.
Mas a linha entre o engenhoso e o insensível é tênue — especialmente quando o pano de fundo é um dos maiores assaltos da história francesa.

Alexander Böcker, diretor da empresa, defendeu a ação com humor pragmático.
Segundo ele, como ninguém saiu ferido, a repercussão poderia ser usada para “chamar atenção para o negócio familiar”.

O resultado? A internet aplaudiu.
Comentários como “gênio do marketing” e “isso é qualidade alemã” inundaram as redes, consagrando a marca em um espaço de fama que custaria milhões em anúncios tradicionais.

Há, contudo, uma camada ética que merece ser discutida.
Quando o crime vira vitrine, a publicidade toca uma fronteira perigosa entre criatividade e oportunismo moral.

É inevitável lembrar do velho axioma do capitalismo tardio: “tudo é conteúdo”.
Até mesmo o furto das joias da coroa francesa pode ser reembalado em storytelling corporativo.

No fim, a Böcker não fez nada ilegal — apenas traduziu a lógica contemporânea da comunicação: qualquer narrativa pode ser convertida em ativo, desde que bem contada.
E se há uma lição nesse episódio, é que a velocidade do marketing moderno rivaliza com a dos próprios ladrões.

Enquanto o Louvre ainda investiga falhas de segurança e tenta recuperar seu prestígio, a fabricante alemã colhe curtidas e novos clientes.
O museu perdeu joias; a Böcker ganhou atenção.

Resta a pergunta incômoda: quando a publicidade consegue brilhar sobre o roubo de um tesouro nacional, quem, afinal, é o verdadeiro mestre do golpe?

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