Lula diz, na Indonésia, que irá disputar o quarto mandato

O anúncio veio de Jacarta, na Indonésia: “Vou disputar o quarto mandato no Brasil”.
Lula, com quase 80 anos, diz ter “a mesma energia de quando tinha 30”.
Mas essa frase traduz menos vitalidade do que ambição — e talvez apreensão.

A Constituição brasileira permite apenas dois mandatos consecutivos, mas permite mandatos não consecutivos.
Lula exerceu dois mandatos entre 2003-2010, retornou em 2023 e agora mira 2026.
Se vencer, estenderá sua permanência no palácio além dos limites tradicionais da esquerda brasileira.

O momento da declaração não foi casual.
Fez-se em visita diplomática pela Ásia, entre apertos de mão e câmeras — cenário ideal para projetar imagem de estadista e mobilizar base.
Mas sob o palco, há tensões não ditas.

A primeira: a questão da renovação política.
Há anos Lula dizia que 2022 seria sua última campanha. Agora recua desse horizonte.
O recuo levanta uma pergunta central: o que mudou — o país ou o político?

Segundo: a saúde e o desgaste físico.
Lula sofreu problemas recentes, entre os quais cirurgia e queda — e aos 79/80 isso importa.


A ambição de continuar contrasta com o desgaste visível de qualquer carreira pública longa.

Terceiro: o cenário da oposição.
Com o Jair Bolsonaro inelegível por decisões judiciais, o tabuleiro de 2026 se redesenha.
Para Lula, pode significar vantagem — mas também risco: a ausência de um adversário forte às vezes desmobiliza.

O anúncio também lança luz sobre o “lulismo” como fenômeno brasileiro.
Não se trata apenas de um partido ou líder, mas de uma forma de poder que atravessa gerações.
Perseguir um quarto mandato é afirmá-lo — mas também testá-lo.

E o “e daí?” para o Brasil?
Significa que a campanha de 2026 dará o tom da conjuntura política por anos.
Se Lula vencer, renovará não apenas seu mandato, mas seu legado.
Se for derrotado, abrirá a porta para uma nova era — talvez mais incerta, mais aberta.

Há ainda outra implicação: a governabilidade enquanto campanha permanente.
Um presidente que se vê em modo reeleitoral tende a agir como candidato — e não como gestor pleno.
Isso altera prioridades, dilui o tempo.

Além disso, a internacionalização da declaração — feita no exterior, diante da imprensa internacional — sugere uma estratégia de prestige global.
Como se o Brasil estivesse enunciando ao mundo: “ainda estamos aqui, e com poder”.
Mas o poder interno convive com contradições: inflação, polarização, desgaste institucional.

Por fim: o anúncio de Lula é ao mesmo tempo desafio e promessa.
Desafio para o adversário, promessa para sua base.
Mas também um teste de resistência para o sistema político brasileiro.

Para o eleitor, resta a reflexão: queremos um quarto mandato de Lula ou o início da renovação que ele próprio dizia necessária em 2022?
E para o país inteiro, a pergunta se eleva: o poder prolongado fortalece a democracia — ou a tensiona?

Fica, portanto, não só a confirmação de candidatura — mas uma encruzilhada histórica.
O Brasil poderá estar embarcando em mais quatro anos sob o mesmo rosto central da política nacional.
Ou poderá estar atravessando o momento em que esse rosto finalmente passará o bastão.
A escolha será nossa — e as consequências, inevitáveis.

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