Uma mulher brasileira que estava em estado vegetativo nos Estados Unidos conseguiu retornar ao Brasil após meses de internação e tratamento intensivo. A mineira Fabíola da Costa, 32 anos, enfrentou grave quadro de saúde no exterior e sua transferência ao país de origem foi possível graças à solidariedade de um grupo de amigos. O custo estimado da operação de retorno — em regime de UTI aérea — girou em torno de R$ 1 milhão.
Fabíola residia com o marido, Ubiratan Rodrigues da Nova, e os filhos nos Estados Unidos, desde que o casal decidiu emigrar em busca de melhores oportunidades. Em setembro de 2024, ela sofreu um mal súbito que resultou em três paradas cardíacas, perfuração pulmonar durante manobras de reanimação e graves sequelas neurológicas. Esse episódio deixou-a em estado vegetativo e dependente de cuidados intensivos.
Durante aproximadamente oito meses, Fabíola ficou hospitalizada em unidades de saúde americanas, com alta complexidade e elevados custos médicos. Finalizada a internação hospitalar, ela passou a receber cuidados em casa, com estrutura adaptada e sob supervisão contínua, situação que impôs mudanças profundas à rotina da família e enormes despesas.
Com o avanço dos gastos e a impossibilidade de manter indefinidamente o tratamento nos EUA, o casal vislumbrou a necessidade de transferir Fabíola para o Brasil — país onde a rede de suporte familiar seria mais próxima e os custos, em tese, mais controlados. O projeto, porém, envolvia uma logística delicada: uma aeronave equipada como UTI, coordenação médica, transporte aéreo internacional e trâmites de desembarque e continuidade do tratamento no Brasil.
Foi nesse cenário que um grupo de três amigos decidiu assumir o valor que fazia falta para viabilizar a UTI aérea. Segundo Ubiratan, o valor da aeronave parecia “fora da nossa realidade”, mas a mobilização ocorreu e o sonho de trazê-la de volta ganhou forma. A viagem de retorno culminou com o desembarque de Fabíola no Aeroporto Regional da Zona da Mata (MG), cidade próxima a Juiz de Fora, onde reside sua família.
A chegada da aeronave foi acompanhada por serviço de atendimento de urgência local, que transportou Fabíola para o hospital para nova etapa de exames e estabilização. O plano é que ela seja transferida posteriormente para a casa adaptada, onde continuará em tratamento domiciliar sob acompanhamento público e particular. A adaptação da residência, bem como o suporte médico contínuo, foram fatores críticos para o retorno com segurança.
De acordo com relatos do marido, a condição de Fabíola exige cuidados 24 horas por dia, incluindo alimentação por sonda, fisioterapia, mobilização passiva, oxigenação suplementar e higiene assistida. Ubiratan relatou que deixou o emprego para dedicar-se integralmente à condução desse processo e ao acompanhamento da esposa, o que expressa a magnitude da mudança na vida da família.
Antes da decisão pelo transporte aéreo, o casal considerou uma alternativa terrestre — uma viagem de motorhome adaptado, percorrendo milhares de quilômetros através de múltiplos países. Contudo, diante dos perigos, da infraestrutura, dos custos e da complexidade logística, a opção foi abandonada em favor da solução mais segura e rápida: o traslado aéreo especializado.
A escolha da UTI aérea acabou sendo apontada como a mais viável para garantir integridade física, estabilidade do paciente e menor tempo de exposição ao risco. Em função da gravidade do estado vegetativo de Fabíola, uma viagem terrestre prolongada poderia agravar complicações, além de demandar intervenções médicas constantes e suporte técnico complexo em diversos trechos da rota.
O custo estimado em cerca de R$ 1 milhão incluiu a aeronave, equipe médica especializada, equipamentos de suporte intensivo, logística de embarque e desembarque, bem como transporte terrestre de apoio no Brasil. Embora elevado, o valor foi considerado justificável diante da gravidade da condição e da impossibilidade de outra alternativa menos onerosa com segurança equivalente.
O episódio destaca também a solidariedade comunitária: amigos próximos se mobilizaram, fizeram arrecadações e custearam a operação. Essa rede de apoio foi decisiva para tornar possível o retorno de Fabíola ao país, evidenciando como a cooperação privada pode intervir em situações críticas de saúde internacional. O marido descreveu o gesto como “missão impossível” que se tornou real.
Para o casal, o retorno representa não apenas uma mudança de continente, mas um recomeço em ambiente de maior proximidade familiar e suporte social. A ideia de que Fabíola possa permanecer em casa, no ambiente em que cresceu, e com apoio de parentes, é vista como um fator que favorece a qualidade de vida, mesmo frente às limitações severas.
No Brasil, a continuidade do tratamento será realizada por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) e complementações particulares, conforme o que for necessário, em conjunto com os cuidados domiciliares adaptados. Isso inclui fisioterapia regular, consulta com neurologia, suporte de enfermagem e aparelhos especializados. A moradia exigirá adequações estruturais para acomodar cama hospitalar, equipamentos de oxigenação e acesso facilitado.
A história de Fabíola reflete, de modo mais amplo, os desafios enfrentados por brasileiros que migram para o exterior em busca de vida melhor e acabam sendo surpreendidos por crises de saúde graves. As despesas hospitalares internacionais, o afastamento da rede familiar e as barreiras burocráticas tornam a situação ainda mais complexa quando se trata de transferência médica transnacional.
Além disso, o caso expõe a dimensão da vulnerabilidade dos planos de saúde e seguradoras nos EUA, cujos valores podem rapidamente ultrapassar a capacidade de muitos emigrantes. Mesmo com cobertura, despesas extras, transporte especializado, internação prolongada e suporte intensivo podem se tornar insustentáveis financeiramente para famílias comuns.
Analistas de saúde apontam que viagens de retorno desse tipo exigem planejamento rigoroso, coordenação entre centros de tratamento, logística de transporte especializado e desembarque com suporte imediato. A simples mobilização de recursos não garante a segurança; todo o processo médico-logístico deve estar alinhado para que o paciente não sofra agravamentos durante o trajeto.
Para o público que acompanha a notícia, o caso traz reflexões sobre direitos, responsabilidade social e o papel da comunidade em situações extremas. O resgate de Fabíola mostra como uma mobilização humana pode salvar uma trajetória, mas também evidencia a necessidade de políticas públicas que deem suporte a brasileiros no exterior em situações críticas de saúde.
Agora, enquanto Fabíola se instala no Brasil e a família ajusta sua rotina ao novo cenário, fica o recomeço silencioso e exigente: uma vida marcada pela dependência integral, pelos cuidados permanentes e pela esperança de dias melhores. O casal afirma que seguirá batalhando para dar à esposa a melhor qualidade de vida possível, contando com a ajuda de parentes, amigos e profissionais.
O caso de Fabíola pode servir como um alerta para outras famílias que vivem fora do país: estar preparado para imprevistos, conhecer os limites dos seguros, ter plano de contingência e, se possível, manter vínculo próximo à rede de apoio no Brasil. Embora difícil, o retorno pode significar uma nova chance — desde que bem planejado.
Em última análise, o episódio representa uma combinação de tragédia, superação e humanidade. A trajetória de Fabíola, Uma brasileira em estado vegetativo nos Estados Unidos, sem condição de voltar ao Brasil, tem UTI aérea bancada por grupo de amigos, é reveladora das fronteiras entre saúde, mobilidade internacional e solidariedade. A expectativa agora se volta para os próximos capítulos: como ela e sua família lidarão com o presente, reconstruirão o cotidiano e preservarão a dignidade em meio à adversidade.

