Miss Santa Catarina 2025 é vítima de ataques rac*stas nas redes após ser coroada

Há vitórias que revelam mais sobre uma sociedade do que derrotas.
A coroação de Pietra Travassos, Miss Santa Catarina 2025, é uma delas.
A jovem de 18 anos, nascida em Siderópolis, viu sua conquista ser imediatamente transformada em alvo de ataques racist*s nas redes sociais — o velho reflexo de um país que ainda não aprendeu a lidar com a pluralidade do que chama de “beleza brasileira”.

O episódio não surpreende, mas ainda choca.
Em vez de celebrar o talento, a elegância e o esforço de uma jovem que representa seu estado, parte do público preferiu reduzir sua vitória à cor da pele.
Como se a estética tivesse um código genético, e não uma história de representações que precisa — urgentemente — ser reescrita.

Nas redes, o ódio se multiplicou com a velocidade de um vírus.
Perfis anônimos tentaram deslegitimar a conquista de Pietra, transformando um evento de celebração em arena de preconceito.
Mas o que se espalhou ainda mais rápido foi o repúdio.

Centenas de internautas se levantaram em defesa da Miss.
“Ela venceu por mérito e beleza, ponto final”, escreveu uma seguidora.
Outros destacaram o óbvio: que o racismo não suporta ver uma mulher negra ocupar um lugar de destaque — e, justamente por isso, cada coroação é também um ato político.

O silêncio de Pietra até agora é eloquente.
Talvez seja o silêncio de quem entende que não precisa se justificar por existir.
Ou talvez seja o silêncio estratégico de quem sabe que a melhor resposta é continuar brilhando.

O caso expõe uma ferida que o Brasil insiste em maquiar com discursos de “democracia racial”.
Num país onde concursos de beleza historicamente exaltaram padrões eurocêntricos, a vitória de uma mulher negra ainda incomoda porque ameaça hierarquias simbólicas construídas ao longo de séculos.

Ser Miss, nesse contexto, é mais do que desfilar com uma coroa — é reivindicar o direito de ser admirada sem ser questionada.
É enfrentar, sozinha sob os holofotes, o peso de uma história que deveria pertencer a todas.

O racismo digital, travestido de opinião estética, é a nova face de um preconceito estrutural que aprendeu a usar hashtags.
Mas também é a prova de que cada conquista negra em espaços de visibilidade é, em si, um ato de resistência.

A vitória de Pietra Travassos não é apenas dela — é de uma geração que insiste em se ver representada.
Que desafia o algoritmo, o espelho e o costume.
E que lembra ao país que a beleza não tem cor, mas o preconceito, infelizmente, ainda tem dono.

Porque, no fim, o que incomoda não é a cor da Miss Santa Catarina.
É o brilho de uma mulher negra em um palco onde, por tanto tempo, só se aplaudiu o mesmo tipo de rosto.

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