“Máscaras cairão”, dispara Milei ao citar Lula em denúncia internacional feita por ex-chefe de inteligência da Venezuela

O presidente argentino Javier Milei repercutiu nesta sexta-feira, 17 de outubro de 2025, alegações feitas pelo ex-chefe da inteligência venezuelana Hugo Armando Carvajal (conhecido como “El Pollo”), segundo as quais o regime chavista teria supostamente financiado partidos e líderes de esquerda em diversos países — incluindo o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.


Milei fez uma publicação na rede social X (antigo Twitter) em que compartilhou reportagem e escreveu apenas: “E muitas máscaras cairão”, expressando de modo simbólico a gravidade das revelações atribuídas a Carvajal.


De acordo com o documento apresentado por Carvajal às autoridades dos Estados Unidos, o governo da Venezuela teria utilizado recursos da estatal petrolífera Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA) para financiar de maneira ilícita movimentos políticos de esquerda no mundo — por um período estimado de pelo menos quinze anos.


Entre os nomes citados por Carvajal como supostos beneficiários desses repasses aparecem, além de Lula no Brasil, lideranças como Néstor Kirchner (Argentina), Evo Morales (Bolívia), Fernando Lugo (Paraguai), Ollanta Humala (Peru), Manuel Zelaya (Honduras) e Gustavo Petro (Colômbia). Também estariam implicados partidos europeus, como o Podemos (Espanha) e o Movimento 5 Estrelas (Itália).

Em suas alegações, Carvajal afirmou que, enquanto exerceu funções de inteligência e contra­inteligência militar na Venezuela, observou relatórios que indicavam a existência dessa operação internacional de financiamento — e atribuiu ao regime chavista a coordenação do esquema.


Os valores e os meios citados no depoimento incluem, segundo a reportagem, o envio de 3,5 milhões de euros em espécie ao Movimento 5 Estrelas por meio de mala diplomática, com autorização do então chanceler venezuelano Nicolás Maduro e execução atribuída ao ex-ministro do Interior venezuelano Tareck El Aissami.


Carvajal foi extraditado da Espanha para os Estados Unidos em 2023 e aceitou colaborar com a Justiça norte-americana, em busca de redução de pena. Ele admitiu, em junho, a culpa por crimes ligados ao Cartel de los Soles — rede criminosa ligada às Forças Armadas da Venezuela — numa audiência em Nova Iorque.


A repercussão das alegações em nível internacional decorre especialmente da amplitude dos nomes citados e da gravidade das acusações envolvendo recursos públicos e financiamento político transnacional. A declaração de Milei alimenta o debate sobre transparência, influência estrangeira em processos políticos e alinhamentos ideológicos na América Latina.
Por outro lado, até o momento, não há comprovação pública final de que os repasses apontados tenham sido efetivamente realizados conforme descrito — as alegações dependem de investigação e validação por parte das autoridades competentes nos países envolvidos.


No Brasil, a menção a Lula traz impasse diplomático, já que o presidente brasileiro é uma figura central da política nacional e internacional, o que torna a verificação dessas acusações particularmente relevante tanto para o contexto interno quanto para as relações exteriores do país.
Para a Argentina, a postura de Milei reafirma seu discurso crítico em relação aos regimes chavistas e sua aliança com plataformas políticas que se opõem ao que ele descreve como “interferência” ideológica e financeira internacional de países com governos de esquerda.


É importante notar que o uso de fundos públicos estatais para apoiar movimentos políticos estrangeiros constitui, em diversos ordenamentos legais, prática passível de investigação por corrupção, lavagem de dinheiro ou financiamento ilícito de campanhas — o que eleva a relevância jurídica das alegações apresentadas.


Ao mesmo tempo, o contexto ideológico se torna central: a disputa sobre narrativas políticas, alianças internacionais e legitimidade de governos de esquerda ganha um novo elemento com essas declarações, uma vez que envolvem atores de peso na América Latina.
Na esfera mediática, a divulgação por meio das redes sociais — com a postagem de Milei — demonstra como líderes políticos utilizam canais digitais para amplificar denúncias, moldar percepções e mobilizar apoio ou críticas de suas bases eleitorais.


De modo mais amplo, o episódio evidencia a interconexão entre segurança nacional, financiamento político e influência externa, sobretudo em uma região marcada por debates acalorados sobre soberania, democracia e geopolítica.


Para a comunidade internacional, essas revelações colocam em foco a necessidade de cooperação entre autoridades de diferentes países para rastrear fluxos financeiros, verificar alegações e fortalecer mecanismos de fiscalização que assegurem transparência em nível global.

Em conclusão, a repercussão da denúncia atribuída a Carvajal — e amplificada por Milei — representa um capítulo relevante para a compreensão das relações latino-americanas, das redes de financiamento político e das tensões entre convergências ideológicas e soberania nacional. O desdobramento das investigações e a eventual atuação de instâncias judiciais ou regulatórias poderão determinar consequências políticas, diplomáticas e institucionais para os países citados.

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