O jornalista Thiago Pavinatto compartilhou em redes sociais uma afirmação segundo a qual o imóvel do ex-ministro Luís Roberto Barroso, da Supremo Tribunal Federal (STF), localizado nos Estados Unidos, estaria sendo leiloado — e que, em sua avaliação, “nunca mais ele e sua família irão pisar nos EUA”.
Segundo o post, “Imóvel de Barroso nos EUA vai a leilão e nunca mais ele e sua família irá pisar nos EUA”, frase atribuída a Pavinatto.
Essa mensagem viralizou em redes sociais, porém investigações independentes apontam para a inexistência de base documental que comprove o leilão do imóvel ou a impossibilidade de entrada dos envolvidos nos Estados Unidos.
Em nota encaminhada à imprensa, o STF desmentiu a alegação de que o imóvel do ministro tenha sido objeto de leilão.
Além disso, não há registro público ou oficial de que o presidente dos EUA tenha ordenado ou autorizado qualquer leilão sobre propriedade vinculada a Barroso.
Reportagens de checagem lembram que, embora o ministro tenha tido problemas com visto norte-americano, não há indício de que isto tenha relação direta com a suposta alienação do imóvel estrangeiro.
O site de verificação de fatos “Aos Fatos” publicou que não localizou registros confiáveis de que a propriedade estivesse sendo leiloada, nem confirmação de medida sancionadora específica nos EUA relativa ao magistrado.
Pesquisadores de checagem comentaram que o boato associa três narrativas distintas: internação médica, cancelamento de visto e leilão de imóvel — sendo que apenas a internação médica de Barroso foi confirmada, as demais carecem de sustentação.
A publicação de Pavinatto foi disseminada em ambiente digital com impacto nas redes sociais, alcançando diversas visualizações e compartilhamentos.
Especialistas em desinformação apontam que o uso de meia-verdade (como a hospitalização verdadeira) misturada com alegações infundadas (leilão e retirada de visto) favorece a viralização e confusão no debate público.
Do lado institucional, o STF reiterou que nenhuma medida de leilão em solo americano foi comunicada formalmente à Corte ou consta de processo público.
Além disso, o próprio ministério americano ou órgãos públicos dos EUA não divulgaram confirmação da perda permanente de visto ou da alienação de imóvel relatada no boato.
A soma desses fatores levou à conclusão de que a versão apresentada por Pavinatto não encontra respaldo nos dados oficiais e constitui um caso típico de rumor compartilhado.
No entanto, a circulação da narrativa provoca reflexões sobre o ambiente de polarização política no Brasil e a forma como teorias de conspiração se propagam online.
Advogados e analistas de política internacional lembram que leilões de imóveis pertencentes a estrangeiros ou entidades jurisdicionais americanas seguem trâmites públicos e não privados — o que não se encaixa na versão apresentada.
Igualmente, o cancelamento de visto de autoridade brasileira já foi noticiado, mas não há indício de que, neste caso, esteja ligado à alienação de patrimônio ou medida de leilão.
Do ponto de vista prático, a alegação de que “nunca mais ele e sua família irão pisar nos EUA” revela linguagem de caráter extremo e determinista, o que exige cautela em jornalismo.
O episódio ilustra como afirmações sensacionalistas podem se espalhar rapidamente, mesmo diante de ausência de evidências concretas.
Para o setor de credibilidade jornalística, é relevante observar que compartilhar versões sem verificação compromete o debate público e a confiança em instituições.
Em resumo, embora o jornalista Thiago Pavinatto tenha divulgado a afirmação sobre imóvel e leilão, a verificação revela que o suposto evento não se sustenta em documentos ou fontes confiáveis.
A recomendação para leitores e usuários de redes sociais é sempre checar informações em veículos especializados e procurar transparência sobre origens, documentos e confirmação oficial antes de compartilhar.

