Venezuela já foi um dos quatro países mais ricos do mundo, mas hoje ele é um dos mais pobres da América Latina

Já foi o país mais rico da América do Sul. Um símbolo de prosperidade alimentado pelo petróleo, pela modernidade e pelo otimismo. Hoje, a Venezuela é um espelho quebrado do que poderia ter sido — e um alerta de como o poder, quando mal administrado, pode corroer até os alicerces de uma nação.

Como um país dono das maiores reservas de petróleo do planeta mergulhou na pobreza extrema? A resposta não cabe em slogans ideológicos. Ela está no entrelaçar perverso entre dependência econômica, populismo e corrosão institucional.

Durante décadas, o petróleo foi bênção e maldição. Alimentou o luxo, mas também o vício. A economia venezuelana se acostumou a respirar o ar do barril de Brent — e esqueceu como produzir sem ele. Quando o preço do petróleo caiu, levou consigo não só o PIB, mas a dignidade de milhões.

A era Chávez prometeu devolver o país ao povo. De início, parecia cumprir. Programas sociais robustos e distribuição de renda mudaram vidas. Mas o preço foi a autonomia das instituições e a lógica de um Estado hipertrofiado, dependente de carisma, não de competência.

O sucessor, Nicolás Maduro, herdou o império das promessas e o transformou em ruína. A hiperinflação corroeu salários, a escassez tornou o básico um luxo e o êxodo se tornou a única alternativa para muitos.

Hoje, mais de 7 milhões de venezuelanos vivem fora do país — o maior deslocamento humano da história recente das Américas. São médicos dirigindo táxis, engenheiros vendendo doces nas ruas e famílias separadas por fronteiras que antes pareciam invisíveis.

Enquanto isso, o regime mantém sua narrativa de resistência ao imperialismo, culpando sanções externas por um colapso que é, sobretudo, interno. O discurso nacionalista se tornou uma cortina de fumaça para encobrir a incompetência administrativa e o autoritarismo crescente.

A reportagem do Jornal da Band reacende um debate incômodo: até que ponto a Venezuela é vítima do mundo — e até que ponto é refém de si mesma?

O país que um dia exportava petróleo agora exporta dor. E essa inversão é o retrato mais cruel daquilo que o poder sem limite pode gerar.

Mas há algo mais profundo nessa história. A Venezuela é também um espelho para seus vizinhos. Mostra o que acontece quando um Estado perde o controle sobre sua economia e transforma a ideologia em dogma.

Cada fila por um pedaço de pão, cada hospital sem remédio, cada criança que cruza a fronteira a pé — tudo isso é a tradução concreta de decisões políticas tomadas há décadas, em nome de um “povo” que hoje sobrevive no limite.

O colapso venezuelano não é apenas econômico; é moral. O desmonte da verdade, da imprensa livre e das instituições criou um ambiente em que o real e o propagado se confundem — e onde o sofrimento se torna rotina.

Há, porém, uma resistência silenciosa. Professores que ainda ensinam, artistas que ainda criam, comunidades que ainda se ajudam. Pequenos atos de humanidade tentando florescer no deserto da escassez.

No fim, a história da Venezuela é a de um país que confundiu riqueza com poder, e poder com eternidade. Um lembrete de que nenhuma nação está imune ao colapso quando abandona a lucidez em nome da fé cega — seja ela política, ideológica ou messiânica.

E talvez essa seja a lição mais dura, e mais urgente, para toda a América Latina: não basta ter petróleo no subsolo se a democracia escorre pelos dedos.

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