Pode um procedimento judicial entre ex-cônjuges revelar mais que cifras e litígios? No imbróglio entre Tainá e o jogador Léo Pereira, o que está em jogo vai muito além da cobrança de pensão ou da partilha de bens — trata-se de imagem, poder econômico e o cálculo frio de credibilidade no mundo das celebridades.
A influenciadora alegava que Léo devia cerca de R$ 1,04 milhão, valor que teria se acumulado em pensão alimentícia e pendências na dissolução de união estável.
A Justiça, no entanto, concluiu que o atleta havia quitado o montante acordado — ou pelo menos evidências robustas indicaram esse pagamento — e, com isso, julgou o pedido de Tainá improcedente.
Mais: condenou-a a arcar com os honorários advocatícios (10% da causa) e demais custas, totalizando algo em torno de R$ 100 mil a R$ 200 mil.
A decisão expõe três vetores que raramente são discutidos com profundidade em casos de “famosos vs. ex” — e que merecem análise crítica.
Ao reconhecer que o réu teria quitado os valores antes da ação, o juiz rejeitou o argumento da autora de forma categórica: “Não é possível acreditar que a autora não teria conhecimento do pagamento (…)”
Isso mostra que, judicialmente, não basta haver inconformismo — é necessário haver prova ou lógica convincente. A fama ou volume da reivindicação não substituem consistência jurídica.
Tainá hoje é casada com outro atleta de altíssimo nível, Éder Militão, o que por si só torna sua exposição ainda mais ampla.
Mas a decisão desfavorável indica que, mesmo com visibilidade, o ônus da prova e o rigor da justiça aplicam-se igualmente — ou ao menos deveriam.
Para o público, casos assim viram roteiro de novela: o jogador “multimilionário” que supostamente abandona os filhos; a influenciadora que exige o que “é dela”.
Mas a sentença revela uma realidade diferente: a reversão da responsabilidade — é ela quem paga os custos processuais.
Isso eleva o “e daí?” que importa: qual o efeito real dessas disputas na percepção pública sobre justiça, igualdade e privilégio?
O resultado prático? Léo Pereira está juridicamente livre da obrigação antiga. Tainá foi sancionada a arcar com custos que podem ultrapassar R$ 100 mil. A família, entretanto, permanece sob o holofote — as crianças, o patrimônio, o estilo de vida — e tudo isso transforma o tribunal em espelho de valores sociais e culturais.
Mas há uma pergunta que permanece: o que esse tipo de disputa nos diz sobre o papel da justiça em casos de visibilidade intensa?
Quando a privacidade dos ex-cônjuges se mistura com a narrativa pública, o tribunal vira palco — e o tribunalado, personagem.
E o que resta da justiça quando quem julga também está em cena?
Talvez a lição, para além de quem ganhou ou perdeu, seja simples: na era da fama e do litígio, o rigor jurídico continua sendo a única ferramenta que resiste ao espetáculo.
E é justamente nesse entre-meio — entre o show e a câmara de julgamento — que se define o caráter da justiça.

