5 alunas do interior do Paraná criaram biocombustível com óleo de cozinha usado e fazem ônibus escolar rodar 7 dias seguidas sem abastecer

E se o futuro da energia nascesse dentro de um laboratório escolar? Em Assaí, cidade de pouco mais de 15 mil habitantes no interior do Paraná, um grupo de adolescentes provou que inovação não precisa de grandes investimentos — apenas de curiosidade e propósito.

Durante quase uma semana, um ônibus escolar percorreu as ruas da cidade sem precisar ser abastecido. O segredo? O combustível que movia o veículo vinha da cozinha — literalmente.

Cinco alunas do Colégio Estadual Conselheiro Carrão decidiram transformar óleo de fritura usado em uma alternativa sustentável de biodiesel. Nascia assim a “BIOSUN”, uma startup júnior criada por Eduarda Priscila Miura, Luiza Alves de Souza, Letícia Ayumi Tazima Sato, Eduarda Pietra Santos Paixão e Fabiane Hikari Kikuti.

Com idades entre 16 e 17 anos, elas sintetizaram em frascos de laboratório um combustível capaz de substituir o diesel tradicional — e fizeram um ônibus rodar por dias, sem um litro sequer de petróleo.

A façanha ganhou o apoio da prefeitura, que agora estuda criar uma linha exclusiva de transporte escolar movida a biodiesel produzido localmente. A ideia é simples, mas poderosa: fechar o ciclo do desperdício, dando destino nobre ao óleo de cozinha que, de outra forma, poluiria rios e solos.

O professor Matheus Rossi, orientador do projeto, destaca que o trabalho das alunas une química, consciência ambiental e empreendedorismo: “Elas entenderam que ciência é ferramenta de transformação. Estão criando um modelo replicável de energia limpa a partir do que seria lixo doméstico.”

O biocombustível obtido segue processos rigorosos de filtragem, decantação e reação química, convertendo triglicerídeos em ésteres metílicos — o componente essencial do biodiesel. O resultado é um produto de queima limpa e custo reduzido.

Mais do que um experimento escolar, a iniciativa é um manifesto. Enquanto governos e corporações debatem metas climáticas, cinco meninas do interior decidiram agir — com jaleco, proveta e determinação.

O impacto social também é evidente. O projeto estimula a coleta de óleo nas residências da comunidade, envolvendo famílias, merendeiras e pequenos comércios locais. O que era resíduo virou insumo. O que era problema, virou solução.

Em um país onde o biodiesel ainda enfrenta entraves de escala e custo, o feito de Assaí soa quase simbólico: mostra que inovação não está restrita a laboratórios milionários, mas pode brotar onde há educação pública de qualidade e mentes curiosas.

O nome “BIOSUN” — união de “vida” e “sol” — resume bem o espírito do grupo: energia limpa nascida da vida cotidiana, guiada pela luz da ciência.

Talvez o que essas jovens provaram não seja apenas a eficiência do biodiesel, mas algo maior: que o futuro energético do Brasil pode estar sendo gestado agora mesmo, em bancadas de escolas que acreditam no poder da educação científica.

Se um ônibus pode rodar uma semana com o óleo do almoço, imagine o que o país poderia fazer se apoiasse mais ideias assim.

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