Felca é contratado pela Globo e ganha novo quadro no Fantástico

Quem diria que um vídeo sobre “adultização” seria o ponto de virada para um dos formatos mais tradicionais da televisão brasileira?
Felca, o influenciador que transformou inquietações digitais em reflexão coletiva, agora fará o caminho inverso: levará o debate das redes para a tela da TV aberta.

Confirmado em um quadro do Fantástico previsto para 2026, Felca discutirá em seis episódios como as redes sociais estão moldando — e, muitas vezes, distorcendo — a saúde mental dos brasileiros.
É a primeira vez que a Globo aposta explicitamente em um influenciador para tratar de um tema de relevância pública com viés jornalístico.

Não se trata apenas de entretenimento.
É uma tentativa clara de reconectar a televisão com um público que já migrou, há tempos, para o scroll infinito.
E, ao mesmo tempo, uma admissão: a credibilidade não mora mais apenas nas redações — ela também se constrói nos feeds.

O projeto de Felca representa uma espécie de “tradução geracional” da angústia contemporânea.
Ele fala com ironia, mas também com vulnerabilidade — um tom que as redes aprenderam a decodificar melhor do que a televisão.
Sua linguagem é o contraponto ao jornalismo excessivamente polido, que às vezes parece falar sobre as pessoas, mas não com elas.

E ele não estará sozinho nessa reinvenção.
Maju Coutinho também ganhará um novo espaço no programa, em um quadro que promete surpreender entregadores de comida ao convidá-los para jantar e contar suas histórias.
Parece simples, mas há algo de profundamente simbólico nisso: a jornalista saindo da bancada para ouvir quem vive o país das ruas.

Televisão e internet sempre se olharam com desconfiança.
Durante anos, a TV tratou os influenciadores como fenômenos passageiros — enquanto a internet via a TV como um dinossauro que ainda não percebeu o meteoro.
Agora, os dois universos começam a entender que a sobrevivência depende da fusão.

O “Fantástico”, que nasceu como revista eletrônica e se reinventou inúmeras vezes, parece compreender o espírito do tempo mais uma vez.
Ao abrir espaço para Felca e Maju, o programa assume uma nova missão: não apenas informar, mas dialogar.

E há algo de poético nesse encontro.
Um influenciador que viralizou ao denunciar a pressão para amadurecer cedo demais — agora, ajudando o próprio jornalismo a amadurecer.
E uma âncora consagrada saindo da zona de conforto para partilhar refeições e histórias com anônimos.

O Fantástico de 2026 pode marcar o início de uma nova fase da televisão brasileira.
Menos distante, mais empática.
Menos “programa sobre o Brasil”, mais “programa com o Brasil”.

Se der certo, não será apenas uma vitória da Globo — será um reconhecimento de que a boa comunicação não tem fronteiras fixas.
Ela acontece onde houver alguém disposto a escutar.

E, talvez, seja justamente isso que Felca e Maju estão prestes a ensinar à velha mídia:
que o futuro da televisão não está em falar mais alto, mas em falar mais perto.

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