O deputado federal Kim Kataguiri voltou ao centro das atenções nesta semana ao emitir duras críticas ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Em um post publicado em suas redes sociais, Kataguiri afirmou sarcasticamente: “Parabéns, Haddad, você conseguiu quebrar os Correios”, ao responsabilizar o ex-prefeito de São Paulo pela atual crise que assola a estatal de entregas.
O comentário foi publicado poucas horas depois de dois dias consecutivos de paralisação parcial do serviço postal nacional. Em sua postagem, Kataguiri atribuiu a responsabilidade pela situação à atuação do governo federal na política econômica, insinuando que as decisões tomadas por Haddad teriam afetado diretamente a sustentabilidade financeira dos Correios.
Segundo o parlamentar, a crise enfrentada pela empresa estatal é resultado direto de uma série de medidas fiscais implementadas recentemente. Ele afirmou que, em vez de promover ajustes estruturais, o ministro teria optado por “intervenções populistas”, prejudicando a eficiência do setor logístico e a viabilidade de serviços essenciais.
Durante a postagem, Kataguiri também declarou que o modelo atual de gestão estatal está “obsoleto” e que a privatização ou reestruturação profunda seriam alternativas mais viáveis. Ele criticou ainda a liderança de Haddad no comando da Fazenda, afirmando que a condução da pasta teria negligenciado problemas de longo prazo em favor de soluções de curto prazo e politicamente convenientes.
A resposta não demorou a chegar. Em solenidade na capital federal, Haddad rebateu as acusações e afirmou que Kataguiri busca “criar narrativas baratas para salvar o pescoço político”, colocando em dúvida a credibilidade do deputado. Em tom inflamado, o ministro disse que “a crise dos Correios é resultado de decisões de gestão anteriores e de um cenário global que impõe desafios a empresas públicas”.
Ainda segundo Haddad, a baixa arrecadação em setores estratégicos e as mudanças no mercado de entregas, impulsionadas pelo crescimento do comércio eletrônico, também contribuíram para a deterioração financeira da companhia. Ele também destacou que o governo está buscando soluções para o problema, como a abertura de capital parcial da estatal em bolsa.
O embate político reacendeu um debate mais amplo sobre o papel do Estado na entrega de serviços essenciais. O setor de logística, atualmente dominado por empresas privadas que oferecem soluções rápidas e baratas, pressiona o governo a repensar o modelo de atuação dos Correios.
Especialistas do setor logístico chamaram a atenção para a necessidade de modernização da empresa, sugerindo medidas como a revisão de contratos, a redução de cargos comissionados e a adoção de tecnologias capazes de otimizar rotas. Eles afirmam que, mesmo com eventual capitalização, a estatal precisará se adaptar profundamente à realidade do setor.
Por outro lado, lideranças sindicais e parlamentares aliados ao governo defenderam que a privatização parcial não seria suficiente para resolver a crise e poderia colocar em risco o acesso dos brasileiros a serviços universais. Eles argumentam que os Correios ainda desempenham um papel estratégico em regiões sem cobertura dos correios privados.
No horizonte político, o embate entre Kataguiri e Haddad começa a ser visto como um possível prenúncio das disputas que estão por vir nas eleições do próximo ano. Parlamentares aliados aos dois lados estão acompanhando com atenção a repercussão do caso, antecipando novas trocas de acusações.
Para analistas políticos, o episódio pode ter consequências além da retórica nas redes sociais. O desgaste de Haddad, acusado de piorar a situação dos Correios, coloca pressão sobre o governo no Congresso. Já Kataguiri capitaliza sua postura crítica, conquistando visibilidade nacional como opositor do atual modelo de gestão.
Enquanto isso, a crise dentro dos Correios segue em curso. Entraves em itens de cartas e pacotes continuam afetando empresas e cidadãos, que enfrentam dificuldades para contar com o serviço tradicional. A estatal promete apresentar um plano de recuperação ainda neste mês, com metas para 2026.
Na próxima semana, o Congresso deve convocar representantes dos Correios e da Fazenda para explicações. Parlamentares pretendem saber se haverá mudanças no planejamento estratégico da empresa ou se o governo seguirá insistindo em abrir parte do capital da estatal.
O episódio abriu uma ferida no debate sobre o papel do Estado nos serviços essenciais. Muitas vozes ainda divergem, e as duas vertentes devem se manter firmes no espectro político. Uma coisa, no entanto, é concreta: o confronto entre Kataguiri e Haddad elevou o tema a um patamar nacional e mostrou que os Correios, apesar da crise, permanecem no centro do debate sobre a intervenção estatal no Brasil.

