Alexandre de Moraes quer ser presidente do Brasil em 2030, segundo ex-assessor

A declaração feita por um ex-assessor reacendeu o debate em torno dos possíveis planos políticos do ministro Alexandre de Moraes, membro do Supremo Tribunal Federal. Em entrevistas recentes, o ex-colaborador Eduardo Tagliaferro afirmou que o magistrado tem ambições presidenciais, com a intenção de disputar a eleição de 2030. Segundo Tagliaferro, a informação teria vindo diretamente da chefe de gabinete de Moraes, que mencionou a possibilidade de ele deixar a Corte para pleitear o cargo mais alto da República.

De acordo com o ex-assessor, Moraes busca “governar o país” e consolidar-se como figura política majoritária, extrapolando o papel tradicional de magistrado. Tagliaferro chegou a afirmar que, em sua visão, o ministro “já manda mais que o presidente” e pretende ampliar sua atuação. O ex-assessor também descreveu o magistrado usando termos fortes, afirmando que ele “não se contenta com o poder que detém atualmente”, qualificando-o inclusive como “narcisista e psicopata”.

As declarações vieram à tona no contexto de tensões políticas e judiciais em crescimento. Atualmente, Moraes ocupa uma posição central no cenário político — nos últimos anos, ele proferiu decisões decisivas em casos de segurança nacional, fake news e investigações de golpe, o que atrai críticas de segmentos de diversas linhas ideológicas. A possível tentativa de um salto para a presidência, se confirmada, representaria uma mudança estrutural inédita na história recente da democracia brasileira.

Apesar do teor das acusações, Moraes não se pronunciou oficialmente sobre os planos apontados por Tagliaferro. Aliados ao ministro negam qualquer intenção de que ele abandone a carreira jurídica para ingressar na política. O silêncio institucional reforça a cautela em torno do tema, considerado delicado e de alto impacto no Xadrez político.

A trajetória de Moraes, contudo, justifica especulações. Indicado ao STF em 2017, ele assumiu cargos de destaque, como presidência do Tribunal Superior Eleitoral entre 2022 e 2024. No período, exerceu papel central no enfrentamento de ameaças ao processo eleitoral e na investigação de crimes relacionados a desinformação. Sua postura firme, muitas vezes histórica para trajetória institucional do Brasil, tem gerado elogios, medo e forte oposição.

Nos últimos meses, o nome de Moraes voltou ao noticiário por motivos variados. Em 2024 e 2025, teve decisões polêmicas acerca de inquéritos relacionados a fake news e extrema-direita. Ele também ordenou prisões preventivas e medidas cautelares envolvendo personagens-chave do governo de Jair Bolsonaro, cuja inelegibilidade vai até 2030. Esses fatos alimentaram narrativas tanto de defesa da democracia quanto de autoritarismo judicial.

A expectativa de um possível plano presidencial em 2030 se ateria a um cenário em que outros nomes tradicionais da política — inclusive Bolsonaro — estão temporariamente fora do jogo. A inelegibilidade prolongada do ex-presidente abre espaço para novas forças. Nessa perspectiva, um nome com imagem nacional consolidada poderia surgir como alternativa.

Analistas interpretam, porém, que a transição entre Judiciário e Executivo seria politicamente delicada. Moraes teria de se afastar do STF, o que implicaria abrir mão de estabilidade e prestígio no topo da Corte. Além disso, sua figurar polarizadora poderia dificultar alianças partidárias, essenciais para vencer uma disputa presidencial.

A ex-assessoria de Tagliaferro reforçou informações sobre os bastidores do gabinete de Moraes, alegando que havia corporativismo e ideologias direcionadas internamente. O ex-assessor mencionou que estranhou a predominância de posições conservadoras em contradição com sua própria visão. Mais revelações sobre esse episódio foram prometidas por Tagliaferro, que atualmente reside fora do Brasil.

Segundo ele, essa mudança de ambiente seria uma estratégia para denunciar “os bastidores” do Judiciário brasileiro. Tagliaferro diz ter reunido supostas provas e garante que “mostrar ao país quem realmente é Alexandre de Moraes” está em seus objetivos. A gravação de conversas entre o ex-assessor e pessoa próxima ao ministro teria inclusive motivado um inquérito no Supremo.

A divulgação de mensagens também revelou um episódio delicado. Em 2024, Tagliaferro relatou em aplicativo de mensagens que temia pela própria vida caso falasse demais sobre o magistrado. A frase “se eu falar algo, ele me mata ou me prende” se tornou um ponto de repercussão política.

Apesar do tabu político, a reportagem destaca um fenômeno que se repete frequentemente: a tênue fronteira entre decisões judiciais de grande impacto político e o terreno político propriamente dito. Moraes já foi alvo de críticas que o acusam de ativismo judicial, um argumento que, se a candidatura se concretizar, pode ganhar nova dimensão de debate público.

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