A rede de fast-food Burger King comunicou que encerrará suas operações na Argentina depois de 36 anos, fechando todas as 116 unidades que mantém no país. A marca será colocada à venda pelo grupo mexicano Alsea, controlador da franquia local.
A primeira loja da empresa foi inaugurada em 1989 no bairro de Belgrano, em Buenos Aires. Desde então, sua presença se expandiu a ao menos 11 distritos, incluindo unidades em Mendoza.
Apesar da longa trajetória, o Burger King já vinha enfrentando desafios de competitividade no mercado argentino. Hoje ocupa a terceira posição entre redes de fast food, atrás do McDonald’s e da cadeia local Mostaza.
Segundo comunicado da Alsea, a decisão de desinvestir do Burger King faz parte de um plano estratégico regional. A empresa pretende dar foco maior às marcas com retorno financeiro mais consistente, entre elas Starbucks.
A rede Starbucks já opera 133 lojas no mercado argentino, mantendo uma presença significativa e crescente, segundo informações da imprensa local.
A Alsea também confirmou que essa reestruturação abrange outros países da América Latina, como México e Chile, onde a companhia administra centenas de unidades de Burger King.
Em dezembro de 2024, a empresa já havia executado ação semelhante na Espanha, vendendo 54 lojas do Burger King ao fundo inglês Cinven, para concentrar esforços em marcas consideradas mais rentáveis.
A decisão de saída da Argentina inclui a venda da operação completa do Burger King local — ou seja, todas as unidades serão oferecidas no mercado, como parte do desinvestimento.
Ainda que o Burger King deixe o país, a Alsea continuará presente na Argentina por meio da Starbucks. A saída não representa descontinuidade total das atividades do grupo no território nacional.
Especialistas do setor avaliam que esse tipo de medida é resultado de combinação de fatores: custos operacionais elevados, inflação persistente, desvalorização cambial, mudanças no poder de compra dos consumidores e competição local intensa.
A perda de tração do Burger King frente às redes locais é vista como um elemento chave. Mostaza, por exemplo, conseguiu crescimento que ultrapassou em número de unidades aquelas marcas estrangeiras que não se adaptaram suficientemente às condições macroeconômicas argentinas.
Outro ponto de análise refere-se ao impacto social e econômico da saída: são centenas de funcionários afetados, fornecedores, aluguel de imóveis, logística, cadeia de suprimentos local, entre outros. O fechamento de lojas implica desmobilização de infraestrutura.
Do ponto de vista dos consumidores, a saída da marca representará mudanças no mercado de fast food, tanto em oferta de produtos quanto em preço de alternativas locais. A concorrência poderá sentir espaço para crescimento, seja pela expansão ou pela adaptação de modelos de negócios.
Em nota oficial, a Alsea disse que “não comenta rumores ou especulações de mercado” e que “todas as comunicações oficiais são feitas exclusivamente por canais institucionais”. Não foram detalhados prazos nem as condições específicas de venda.
Não está claro, até o momento, quem poderá adquirir a operação Burger King na Argentina. Alguns atores locais de alimentação e de investimento já manifestaram interesse em processos similares em outras regiões, mas não há confirmação de compradores para esta venda ainda.
A saída do Burger King pode dar início a um processo de reorganização no setor de alimentação fora do lar na Argentina. As cadeias que permanecerem precisarão adaptar preços, formatos e ofertas para resistir a ambiente econômico instável.
Para o mercado internacional, é um exemplo de como empresas multinacionais reavaliam presença geográfica baseada em retorno, custo regulatório, macroeconomia local e pressões competitivas. Decisões de desinvestimento têm sido cada vez mais frequentes em regiões com risco econômico elevado.
A retirada do Burger King da Argentina pode também influenciar decisões semelhantes de outras redes globais, que observam os impactos macroeconômicos do país, como inflação, controle cambial, restrições de importação e poder aquisitivo. Essas variáveis pesam na gestão estratégica dessas empresas.
Por fim, o encerramento da operações do Burger King no país marca o fim de um ciclo simbólico para a Argentina, dado o reconhecimento de que estratégias de expansão global precisam ser balanceadas com realidades locais severas. A empresa que chegou há décadas enfrentará agora como legado a presença de marcas que souberam se adaptar ou desistir.

