Pode a violência ser corrigida com mais violência? A questão retorna com força diante do destino recente de Igor Eduardo Pereira Cabral, ex-jogador de basquete acusado de tentativa de feminicídio, que foi espancado e violentado dentro do presídio em que se encontra no Rio Grande do Norte.
O caso abre uma ferida incômoda: o cárcere, em vez de punir dentro da legalidade, tornou-se palco de vinganças paralelas, regidas por um código não escrito entre detentos.
Não se trata de um episódio isolado. Presos por crimes de violência contra mulheres ou crianças raramente encontram acolhimento no sistema prisional. O que se viu com Igor é o reflexo brutal desse “tribunal subterrâneo”.
É tentador enxergar nisso uma espécie de “justiça poética”: um homem que desferiu 61 socos contra a companheira sendo, em seguida, alvo de tortura atrás das grades. Mas esse raciocínio não resiste a um exame mais profundo.
Quando a sociedade naturaliza a violência como resposta à violência, o Estado abdica de seu monopólio legítimo da justiça. Permite-se, assim, que a barbárie se reproduza, apenas com novos protagonistas.
O episódio levanta outra questão crucial: qual o papel do cárcere? Punição, sim, mas dentro de regras claras. Reeducação, ao menos em teoria. Quando prisões se tornam arenas de linchamento, o sistema trai sua própria função.
A ironia é cruel: Igor, que foi denunciado por tentativa de feminicídio, agora também pode ser tratado como vítima. Isso não significa relativizar seu crime, mas reconhecer que sua integridade deveria ter sido garantida pelo Estado.
O Ministério Público denunciou com veemência a agressão contra Juliana Garcia, a companheira que sobreviveu ao ataque covarde no elevador. Agora, quem denuncia a violência sofrida por Igor?
O silêncio das instituições diante da violência intramuros é quase tão grave quanto o crime original. A omissão equivale a cumplicidade.
O caso de Natal escancara a incapacidade do sistema prisional de manter seus internos vivos, íntegros e sob custódia legal. Se o Estado não controla as prisões, quem controla?
Há ainda o risco de contaminação simbólica. Ao aplaudir a vingança carcerária, naturaliza-se a ideia de que direitos humanos são negociáveis, dependendo do crime cometido.
Mas direitos que se relativizam deixam de ser direitos — tornam-se privilégios concedidos a alguns e negados a outros. É exatamente essa lógica que sustenta autoritarismos.
O episódio nos obriga a revisitar o debate sobre feminicídio. A brutalidade contra Juliana é expressão de uma violência estrutural, que mata e mutila mulheres todos os dias no Brasil.
A prisão de Igor deveria simbolizar a resposta da Justiça a esse crime. Em vez disso, seu espancamento transforma o processo em uma sucessão de violências, onde cada agressão apaga a anterior, mas sem produzir justiça real.
Ao reduzir tudo a uma lógica de “olho por olho”, corremos o risco de legitimar o mesmo mecanismo que moveu o agressor: a crença de que a força resolve.
Juliana Garcia segue como a principal vítima desse enredo. É dela que não se pode perder o foco: uma mulher espancada até a inconsciência, submetida a cirurgias reconstrutivas, cuja vida foi brutalmente interrompida em sua normalidade.
O destino de Igor, embora trágico, não apaga o que ele fez. Mas também não pode ser a régua de nossa ideia de justiça.
A pergunta que persiste é: o que aprendemos quando o Estado falha em punir dentro da lei e terceiriza a punição aos detentos?
O caso de Natal mostra que, no Brasil, o ciclo da violência continua girando sem freios, tanto dentro quanto fora das prisões.
E, enquanto a brutalidade for a linguagem dominante, estaremos condenados a confundir vingança com justiça.


Infelizmente tenho que discordar. Em um pais onde a justiça a qual se refere nao existe. Que seja feita a vontade do povo. Que seja feita a justi’a dos homens. Agressor. Estupradores e bandidos deceria. Sofrer as mesmas punições a qual suas vitimas foram submetidas e ainda com juros. Duvido que a criminalidade e o feminicidio não sumiriam do mapa. Olgo por olho. Dente por dente. Acredito que a maioria do povo e principalmente a vitima e a familia da vitima não estejam festejando o corrido. Mas que lava a alma lava. Que e aprenda a Respeitar as pessoas e principalmente as mulheres. Porque se depender da justiça que fala em seu texto. Vai sair e vai fazer de novo. Nosso sistema carcerario e falido. Ainda mais com um governo corrupto onde o STF defende e solta bandidos ainda manda devolver dinheiro. drogas. Elicopteros. Carros e tudo mais aos bandidos. Fala serio ainda vem me falar de justiça. So faltou chamar o agressor de coitadinho. Agora vai aparecer os direitos humanos que so protegem bandidos. E as vitimas São esquecidas. Pelo amor de Deus tenha tenencia.
Se ele não tivesse batido nela não estaria preso…
Consequentemente não teria apanhado…
Simples assim…
Vcs falam de Justiça? Quanto tempo o indivíduo ficaria preso? Pq existem tantas reincidências? Um ato tão covarde e violento não pode ser apenas julgado sem consequências. As pessoas precisam ter ciência que quanto mas violentas forem tem que haver a lei do taliao. Com ctz se forem punidas na mesma medida, irao repensar duas vezes antes de cometerem tais atrocidades com medo de retaliação.
É triste ver que “justiçamentos” resolvem os problemas punindo com mais severidade do que a própria lei.
Num país em que a Justiça é tão frágil e seletiva que ninguém confia mais naquela que deveria ser a solução apropriada. O que nos deixa a todos, reféns da própria “marginália julgadora”.