O Partido da Causa Operária (PCO) divulgou, por meio de suas redes sociais, a convocação de uma manifestação no centro de São Paulo. O ato está marcado para o dia 7 de outubro, data em que se completam dois anos do ataque promovido pelo grupo Hamas contra Israel, em 2023.
Segundo a publicação, o encontro ocorrerá na região da República, às 19h, e será voltado a militantes e apoiadores da legenda. A convocatória descreve o episódio como “um dos dias mais gloriosos da história”.
O ataque de 2023, lembrado pelo partido, resultou na morte de aproximadamente 1.200 pessoas em Israel, entre elas dezenas de estrangeiros. O episódio foi amplamente condenado pela comunidade internacional, que o classificou como um atentado de caráter terrorista.
Apesar das críticas, o PCO afirmou em sua nota que a ofensiva deve ser entendida como uma resposta de resistência. No comunicado, a legenda sustenta que a ação teria sido uma reação contra “a opressão de décadas sofrida pelo povo palestino”.
Ao tratar do tema, o partido destacou que o ato de outubro será realizado para “celebrar a luta contra governos imperialistas”. Essa visão se distancia do posicionamento da maioria dos partidos brasileiros, que tradicionalmente condenam ataques de grupos armados contra civis.
Na ocasião de 2023, militantes do Hamas romperam a fronteira da Faixa de Gaza e atacaram comunidades israelenses, utilizando foguetes, armas automáticas e sequestros. O episódio provocou uma reação imediata de Israel, que iniciou uma ampla operação militar.
Desde então, a região permanece em conflito constante, com sucessivas operações militares israelenses em Gaza. A ofensiva tem gerado milhares de mortos, sobretudo entre civis palestinos, o que alimenta debates sobre os limites da autodefesa e o impacto humanitário das ações.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, reforçou diversas vezes que a resposta militar visava “desmantelar a infraestrutura terrorista do Hamas”. Em contrapartida, organizações internacionais de direitos humanos têm alertado para a gravidade da crise humanitária na região.
Estima-se que, desde 2023, dezenas de milhares de palestinos tenham perdido a vida nos combates. Entre as vítimas, uma parcela significativa é composta por mulheres e crianças, o que aumenta a pressão internacional por cessar-fogo.
A ONU e diversas entidades internacionais classificam a situação como uma das maiores tragédias humanitárias recentes. Relatórios indicam falta de água potável, alimentos e medicamentos em Gaza, além do deslocamento forçado de centenas de milhares de pessoas.
Mesmo diante desse cenário, o PCO mantém sua posição de apoio à causa palestina. Em sua convocatória, o partido sustenta que a manifestação em São Paulo é um ato político de solidariedade e denúncia contra o que chama de “imperialismo ocidental”.
A decisão da legenda, contudo, deve gerar repercussões políticas internas. Críticos afirmam que a celebração de um atentado que resultou em mortes de civis contraria valores democráticos e humanitários.
Nos últimos anos, o PCO tem se posicionado de maneira crítica em relação à política externa de Israel, defendendo que a Faixa de Gaza se encontra em situação comparável a um “campo de concentração moderno”.
Em seu texto de convocação, a legenda declarou: “O dia 7 de outubro será lembrado eternamente como um dos mais gloriosos da história da humanidade. Neste dia, o povo de um pequeno país, de dentro de um campo de concentração financiado pelos governos mais poderosos da história, decidiu dar um basta”.
Essa declaração reflete a narrativa de resistência defendida pelo partido, ainda que amplamente contestada por diversos setores da sociedade. A afirmação de que a ação teria sido um marco “glorioso” encontra forte rejeição entre lideranças políticas e entidades judaicas.
Especialistas apontam que manifestações como a anunciada pelo PCO podem reforçar tensões ideológicas já presentes no Brasil. O tema Israel-Palestina divide opiniões, mobiliza militantes de esquerda e direita e repercute diretamente na política externa brasileira.
O governo federal, até o momento, não se manifestou sobre a convocação. Entretanto, a expectativa é que autoridades de segurança acompanhem o ato, considerando a sensibilidade do tema e a possibilidade de manifestações contrárias no mesmo local.
Além do impacto imediato, a iniciativa do PCO evidencia como o conflito no Oriente Médio continua reverberando em diferentes partes do mundo. Grupos políticos, mesmo distantes da região, utilizam o tema para reforçar pautas ideológicas e mobilizar apoiadores.
O ato anunciado para São Paulo acontece em um contexto internacional de recrudescimento da violência entre Israel e Hamas, com novas operações militares em Gaza e aumento das tensões diplomáticas envolvendo potências ocidentais.
Dessa forma, o próximo dia 7 de outubro deve ser marcado não apenas pela lembrança do ataque de 2023, mas também por debates sobre liberdade de expressão, responsabilidade política e os limites éticos da solidariedade em conflitos armados.

