“Convertam-se ou morreram”:Estado Islâmico da África convoca guerra contra cristãos

Um ataque ocorrido em julho, deixou mais de quarenta mortos durante uma cerimônia religiosa em Komanda, no nordeste da República Democrática do Congo (RDC). A ação foi atribuída às Forças Democráticas Aliadas (ADF), grupo insurgente com vínculos reconhecidos com o Estado Islâmico (EI).

Segundo informações da Missão de Estabilização das Nações Unidas no país (Monusco), entre os mortos estão nove crianças. A igreja católica atacada estava com fiéis reunidos para oração no momento em que os insurgentes invadiram o local.

O ataque em Komanda foi executado com instrumentos brancos, como facões, e ocorreu no município da província de Ituri. Além das mortes, pessoas foram sequestradas, e lojas e residências foram incendiadas, agravando ainda mais uma situação humanitária já frágil.

Para o Exército congoleses, trata-se de um massacre em larga escala. A surpresa do ataque foi mencionada pelas autoridades locais, que disseram que civis foram surpreendidos em plena liturgia com violência extrema.

As Forças Democráticas Aliadas são um grupo insurgente com raízes em Uganda, formado há décadas, com atuação persistente no leste da RDC. Em 2019, juraram lealdade ao Estado Islâmico, o que ampliou sua visibilidade internacional como afiliados de rede jihadista.

A região de Ituri já vinha apresentando tensão crescente, com histórico de ataques a comunidades civis, igrejas e populações vulneráveis. Relatos anteriores documentam invasões, sequestros e assassinatos de cristãos enquanto oravam.

O incidente em Komanda reacende críticas quanto à capacidade do Estado congolês de proteger suas populações mais isoladas. Organizações humanitárias apontam deficiências logísticas, de inteligência e de presença militar em áreas remotas.

Monusco registrou que casas e comércios foram queimados no ataque, o que evidencia que o dano ultrapassou a dimensão do templo religioso e afetou toda a comunidade local.

Líderes locais afirmam que muitos dos corpos das vítimas ainda permanecem no local e que voluntários se mobilizam para realizar enterros. Algumas comunidades relatam dificuldades de transporte e segurança para realizar o deslocamento em rota de acesso.

O exército da República Democrática do Congo classificou a ação como um ataque deliberado contra civis inocentes. Segundo seus comunicados oficiais, o uso de armas brancas ajuda os insurgentes a operar de forma silenciosa, dificultando resposta rápida.

Além das mortes, há número relevante de feridos. Algumas vítimas foram encontradas em estado grave, o que pressiona serviços de saúde locais já sobrecarregados.

A reação internacional ocorreu por meio de notas oficiais de agências da ONU, que expressaram profunda preocupação pela escalada da violência. Apelos por maior proteção aos civis intensificaram-se nos discursos diplomáticos.

O ataque se dá em meio a um período de relativa trégua e acordos de estabilidade que haviam sido firmados na região oriental da RDC. Entretanto, grupos como o ADF demonstram capacidade de retomar ofensivas mesmo em cenários de aparente estabilização.

Analistas apontam que o respaldo ideológico que o Estado Islâmico oferece aos grupos locais serve tanto para fornecer propaganda quanto para disseminar táticas de radicalização, embora a autonomia de grupos como o ADF em relação ao comando central do EI varie de acordo com território e circunstâncias.

Comunidades locais relatam que o culto religioso era visto como refúgio espiritual e social, e que o ataque atingiu diretamente não só a fé, mas a confiança no amparo estatal.

A lacuna entre atuação estatal e resposta comunitária cria cenários de vulnerabilidade, em que populações desprovidas de infraestrutura, acesso a socorro e segurança dependem de organizações internacionais ou missions humanitárias para atendimento emergencial.

Criticamente, o aspecto religioso do ataque — igreja católica, fiéis rezando — reforça o caráter simbólico da violência. O local de culto, momento de oração, presença de crianças entre as vítimas intensificam o impacto moral e psicológico.

O episódio evidencia também desafios para as organizações de direitos humanos que monitoram perseguição religiosa. Há pressão para que casos como o de Komanda sejam reconhecidos amplamente como violação sistemática do direito à liberdade de crença e culto.

Para especialistas em segurança internacional, a persistência dos ataques do ADF/Estado Islâmico no leste do Congo destaca falhas estruturais em governança local, cooperação transfronteiriça e esforços de desarmamento. Investimentos em inteligência, presença militar e proteção comunitária são apontados como urgentes.

Enquanto isso, as famílias enlutadas buscam justiça e garantia de que episódios semelhantes não se repitam. A reconstrução do templo, a reparação de danos materiais e psicológicos, bem como o fortalecimento da reparação institucional, aparecem como demandas emergentes da população local.

Este ataque representa mais um capítulo na crise prolongada enfrentada pelo leste da República Democrática do Congo, onde violência, deslocamento de civis, insegurança alimentar e fragilidade estatal se sobrepõem. Ele reforça que medidas de segurança apenas pontuais não são suficientes sem políticas integradas para proteção de minorias religiosas.

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