MEU DEUS! Bebê recém-nascido é encontrado abandonado em matagal com p*dra na boca e lábis c*lad*s

Quem tenta calar o choro de um bebê colando seus lábios não está apenas cometendo um crime hediondo. Está expondo, em sua brutalidade, um sistema inteiro de negligências, desigualdades e silêncios históricos.

 

O caso do recém-nascido encontrado em um matagal no Rajastão, com uma pedra na boca e os lábios colados, é mais do que uma tragédia isolada. É um sintoma.

 

O bebê tinha apenas 15 dias de vida. Tempo suficiente apenas para respirar, mas já marcado pela tentativa de calar esse sopro primordial.

 

O resgate, feito por um pastor de gado, soa quase como metáfora: foi preciso alguém à margem do sistema, em sua rotina simples, para ouvir aquilo que a sociedade insiste em ignorar.

 

A cena descrita pela polícia — corpo rodeado de pedras, restos de lixo, cola industrial nos lábios — carrega um simbolismo cruel: a infância descartada como resíduo, embrulhada em silêncio forçado.

 

Mas a questão que emerge é desconfortável: por que práticas de abandono extremo ainda persistem em países que avançam em índices econômicos, mas permanecem frágeis em justiça social?

 

No caso indiano, especialistas apontam uma sobreposição de fatores: pobreza estrutural, desigualdade de gênero, estigma ligado a filhas mulheres e a incapacidade do Estado de proteger os mais vulneráveis.

 

O abandono de recém-nascidos, muitas vezes meninas, não é novidade. É um fenômeno historicamente relacionado à preferência por meninos em sociedades patriarcais, onde a filha é vista como peso econômico.

 

Colar a boca de um bebê, porém, ultrapassa a lógica do abandono. É tentativa deliberada de apagar sua existência antes mesmo que ela fosse registrada.

 

Trata-se de um gesto de violência simbólica: não basta descartar, é preciso silenciar. O choro do bebê, sinal de vida, torna-se incômodo a ponto de justificar a crueldade.

 

Nesse sentido, o caso não é apenas policial, mas político. Revela a falência de redes de proteção social, de políticas públicas efetivas para saúde materno-infantil e de uma cultura que ainda hierarquiza vidas.

 

A presença da cola e das pedras não são apenas instrumentos do crime. São também metáforas do peso e da fixação de velhas estruturas que se recusam a mudar.

 

O hospital que acolhe a criança agora cumpre o papel de último recurso, mas a medicina não pode curar sozinha o que é essencialmente social.

 

É preciso perguntar: quantas outras histórias como essa ficam soterradas pelo silêncio, sem a sorte de um pastor atento passar por perto?

 

A violência contra recém-nascidos não nasce no matagal, mas em lares, instituições e valores que normalizam a desumanização.

 

A cada bebê encontrado em condições como essa, não é apenas uma vida em risco. É uma denúncia contra uma sociedade que mede o valor humano por critérios de utilidade ou conveniência.

 

O choro abafado daquele bebê é, portanto, mais do que um som de sobrevivência. É um chamado.

 

Um chamado para repensar políticas públicas, enfrentar o patriarcado enraizado e criar sistemas de proteção que não dependam do acaso para salvar uma vida.

 

Porque, no fim, a pergunta que resta é: se a sociedade não consegue proteger seus primeiros 15 dias de vida, o que ela realmente valoriza?

 

E talvez a resposta mais perturbadora seja esta: o silêncio imposto ao bebê é o mesmo silêncio que muitos preferem diante de uma ferida coletiva.

3 Comments

Leave a Reply

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Juiz Auxiliar de Alexandre de Moraes abandona o cargo após sanções de Donald Trump

Murilo Huff não autorizou o lançamento do projeto “Manuscritos da Rainha”