EITA! Deputado propõe dividir o Brasil em dois: Brasil do Norte e Brasil do Sul

O Brasil deveria ser dividido em duas nações? A pergunta, que soaria como exercício de ficção política, foi feita em voz alta por um deputado federal em pleno podcast.

 

Paulo Bilynskyi (PL-SP) defendeu a cisão do país em um “Brasil do Norte” e um “Brasil do Sul”. A justificativa? Suposta falta de proporcionalidade na representação política.

 

Para ele, estados menores, com menos eleitores, acabam elegendo o mesmo número de senadores que gigantes como São Paulo. O resultado, em sua leitura, seria uma distorção antidemocrática.

 

A solução proposta é radical: dividir o território em dois países, cada qual mais “coeso” politicamente. Um corte no mapa, como se a democracia pudesse ser redesenhada com régua e compasso.

 

O argumento, no entanto, revela mais do que um problema aritmético. Expõe uma visão reducionista sobre a diversidade cultural e política brasileira.

 

Segundo o deputado, o Norte e o Nordeste votariam “no Lula”, enquanto o Centro-Sul votaria “no Bolsonaro”. Dois Brasis, dois povos, dois destinos.

 

Mas será mesmo que a nação se resume a blocos eleitorais? A análise ignora nuances internas, disputas locais e pluralidade de votos em cada região.

 

Tomemos o próprio Nordeste: basta olhar os resultados municipais para perceber que há espaço para conservadores, progressistas e independentes. A mesma lógica se aplica ao Sul, que não vota em bloco monolítico.

 

A retórica da divisão não é inédita. Ela ecoa projetos de separação que, ao longo da história, sempre floresceram em momentos de crise ou polarização.

 

Nos Estados Unidos, a Guerra de Secessão mostrou o custo humano e institucional de um país partido em dois. O Brasil já enfrentou movimentos separatistas, da Confederação do Equador à Revolução Farroupilha. Nenhum terminou em estabilidade.

 

O que parece uma crítica técnica ao Senado, na verdade, esconde uma leitura ideológica: a dificuldade de aceitar que diferentes regiões expressem preferências distintas dentro do mesmo país.

 

O discurso, nesse sentido, não fortalece a democracia — a fragiliza. Ele sugere que a solução para o dissenso não é diálogo, mas rompimento.

 

Curiosamente, o próprio problema da proporcionalidade poderia ser discutido por vias institucionais: reforma política, debate sobre o pacto federativo, revisão de critérios de representatividade.

 

Mas propor cortar o país ao meio é mais midiático. Gera cliques, trending topics e manchetes fáceis. O radicalismo vira performance política.

 

Há, ainda, uma dimensão perigosa. Ao cristalizar a ideia de que “eles” votam de um jeito e “nós” de outro, reforça-se a lógica tribal que já contamina o debate público.

 

Reduzir milhões de brasileiros a um único voto é negar a complexidade de suas trajetórias, culturas e aspirações. É transformar cidadãos em caricaturas.

 

Mais grave: normalizar a hipótese de dividir o país pode abrir espaço para movimentos extremistas que, insatisfeitos com resultados eleitorais, prefiram a ruptura ao jogo democrático.

 

A democracia não é confortável. Ela implica conviver com diferenças, aceitar derrotas e construir consensos parciais. Não é a homogeneidade que a sustenta, mas a tensão administrada.

 

A fala de Bilynskyi deve ser lida não como proposta viável, mas como sintoma. Um sintoma da fadiga democrática, da polarização corrosiva e da tentação autoritária que ronda o debate político.

 

O verdadeiro desafio não é dividir o Brasil em dois. É aprender a mantê-lo inteiro, apesar — e justamente por causa — de sua diversidade.

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  1. Se os três estados do sul fossem um País, em cinco anos seria um País do primeiro mundo. É claro que sem políticos como o Lula ladrão e o Bozo idiota!

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