Patrícia Ramos comenta sobre o preço do novo iPhone 17: “As pessoas perderão a noção do valor do dinheiro”

Vale mesmo a pena pagar R$ 20 mil em um telefone celular?

 

A pergunta, feita de forma quase despretensiosa por Patrícia Ramos ao comentar o lançamento do iPhone 17, expõe mais do que um incômodo pessoal. Ela toca em um nervo sensível da sociedade contemporânea: a noção distorcida de valor em tempos de hiperconsumo.

 

O preço do novo aparelho da Apple ultrapassa a barreira simbólica que separa a tecnologia funcional do luxo ostentatório. Já não se trata apenas de comunicação ou produtividade; trata-se de status.

 

E é justamente nesse ponto que a fala de Patrícia ganha força. Ao questionar a normalização de gastar R$ 20 mil em um celular, ela sugere que o problema não é o produto em si, mas o comportamento coletivo que o legitima.

 

No Brasil, onde o salário mínimo mal chega a R$ 1,4 mil, a cifra é ainda mais absurda. Um iPhone 17 equivale a mais de 14 meses de renda integral de milhões de trabalhadores.

 

Mas, paradoxalmente, isso não diminui sua atratividade. Pelo contrário: quanto mais inacessível, mais desejado. A lógica lembra a de joias ou carros esportivos — símbolos de pertencimento a uma elite restrita.

 

A Apple sabe disso. Seu marketing nunca vendeu apenas tecnologia, mas sobretudo estilo de vida. Comprar um iPhone não é adquirir um aparelho; é assinar um pacto de pertencimento a um grupo cultural.

 

Nesse contexto, o preço exorbitante deixa de ser um defeito e se torna parte do apelo. O consumidor não paga apenas pelas especificações técnicas, mas pelo privilégio de estar dentro de um círculo simbólico.

 

A questão é: até que ponto esse círculo é real? Redes sociais amplificam a sensação de exclusão, criando a ilusão de que “todo mundo” possui os produtos mais caros. Mas, fora das bolhas digitais, a realidade é bem diferente.

 

A fala de Patrícia, portanto, funciona como um contraponto raro. Ao ironizar a “perda de noção do valor do dinheiro”, ela reintroduz um senso de proporção que o mercado tenta suprimir.

 

Críticos poderiam argumentar que cada um gasta seu dinheiro como quiser. É verdade. Mas, quando o gasto individual se transforma em tendência social, seus efeitos ultrapassam a esfera privada.

 

O iPhone de R$ 20 mil não é apenas um telefone: é também um termômetro de prioridades. Ele mostra o quanto nossa sociedade está disposta a confundir necessidade com desejo.

 

E mais: revela a fragilidade da ideia de “valor” em um mundo onde o prestígio pesa mais do que a utilidade.

 

No limite, o que está em jogo não é o preço de um smartphone, mas a capacidade coletiva de distinguir luxo de essencial.

 

Se normalizarmos pagar R$ 20 mil em um celular, o que mais estaremos dispostos a aceitar como “natural” no futuro?

 

Essa talvez seja a pergunta mais incômoda deixada pelo comentário de Patrícia.

 

E, no silêncio após o buzz da internet, ela ecoa mais alto do que qualquer propaganda da Apple.

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