Eduardo Bolsonaro movimentou o cenário político nacional ao anunciar, de forma direta, sua intenção de disputar a Presidência da República em 2026. Em um discurso que mesclou lealdade familiar e ambição própria, o deputado federal deixou claro que, com Jair Bolsonaro fora do páreo, ele pretende assumir a dianteira do bolsonarismo no próximo pleito. Sua declaração, “com meu pai fora, eu sou candidato”, não apenas revela um projeto pessoal, mas também sinaliza a estratégia de continuidade de um movimento político que moldou a agenda do país nos últimos anos.
O anúncio, feito sem rodeios, reconfigura de imediato o debate sobre a sucessão presidencial. Até então, a expectativa era de que o clã Bolsonaro buscasse alternativas para manter protagonismo, mas Eduardo decidiu não esperar. Sua candidatura promete testar os limites da herança política deixada pelo pai, sobretudo em um ambiente de crescente fragmentação das forças conservadoras.
A declaração também indica uma aposta na fidelidade da base bolsonarista. Ao se colocar como o sucessor natural, Eduardo parece acreditar que o capital político acumulado por Jair Bolsonaro é suficiente para transferir votos de maneira consistente. A questão é se o eleitorado enxerga nele a mesma liderança carismática que garantiu ao ex-presidente quatro anos de mandato e uma expressiva votação em 2022.
O peso simbólico do sobrenome Bolsonaro continua enorme, mas não é garantia absoluta de sucesso. Pesquisas de opinião recentes sugerem que o bolsonarismo mantém uma fatia significativa da sociedade, mas o desgaste acumulado nos últimos anos impõe desafios. Eduardo terá que provar que pode liderar não apenas como herdeiro, mas como figura autônoma.
Outro ponto que chama atenção é a falta de consenso dentro da própria direita. Há outros nomes tentando ocupar o espaço conservador, alguns buscando uma versão mais “light” do bolsonarismo, outros tentando radicalizar ainda mais o discurso. Eduardo terá de disputar não só com adversários ideológicos, mas também com concorrentes internos que desejam capitalizar sobre a mesma base.
Sua declaração é, ao mesmo tempo, uma mensagem à militância e um recado ao establishment político. Aos apoiadores mais fiéis, reforça a ideia de continuidade. Aos partidos, indica que a família Bolsonaro não pretende se afastar da cena eleitoral, mesmo sem Jair diretamente no jogo. Essa postura coloca pressão sobre legendas que cogitam alianças para 2026.
Não se pode ignorar o fator internacional. O movimento de Eduardo ocorre em um contexto global em que líderes populistas continuam a conquistar espaço. Ele busca se alinhar a essa onda, que mistura nacionalismo, conservadorismo cultural e discurso contra instituições. A estratégia reflete uma tentativa de manter o bolsonarismo conectado a uma narrativa transnacional.
Há ainda o desafio da imagem pública. Enquanto Jair Bolsonaro construiu sua trajetória como outsider, Eduardo é, desde o início, um político profissional, forjado dentro do Congresso e dos bastidores partidários. Essa diferença pode ser decisiva na forma como o eleitorado interpreta sua candidatura.
A oposição, por sua vez, já prepara seu arsenal. Críticas sobre o legado do governo Bolsonaro, escândalos envolvendo aliados e o impacto econômico das gestões passadas devem ser explorados intensamente. Eduardo terá de responder a esses pontos ao mesmo tempo em que tenta consolidar sua identidade política.
Outro obstáculo será conquistar o eleitorado de centro. Se depender apenas do núcleo duro bolsonarista, Eduardo pode não alcançar os votos necessários para vencer. Sua capacidade de dialogar com setores menos ideológicos será um dos grandes testes de sua campanha.
O ambiente partidário também será crucial. Até agora, não está totalmente definido qual sigla abrigará sua candidatura. A escolha pode determinar acesso a recursos, tempo de televisão e amplitude de alianças, elementos que podem fazer diferença em uma eleição polarizada.
O anúncio traz implicações também para os adversários. O campo progressista, que vinha se articulando em torno da reeleição de Lula ou da construção de uma alternativa, agora sabe que enfrentará um nome diretamente associado ao bolsonarismo. Isso pode fortalecer a narrativa de continuidade de uma disputa entre dois polos bem definidos.
Do ponto de vista estratégico, Eduardo sinaliza que pretende antecipar o debate eleitoral. Lançando seu nome cedo, busca ocupar espaço e consolidar apoios antes que outros candidatos da direita se fortaleçam. É uma jogada que pode funcionar, mas também expõe sua candidatura ao desgaste prolongado.
Em termos de comunicação, Eduardo deve seguir a cartilha do pai, com forte uso de redes sociais e linguagem direta. Esse estilo já se mostrou eficaz, mas o cenário de 2026 pode exigir ajustes. O eleitorado está mais atento, e os métodos que funcionaram antes podem não surtir o mesmo efeito.
Outro elemento que não pode ser ignorado é a relação com instituições. A postura crítica ao Judiciário, à imprensa e a outros poderes continua presente em seu discurso. Se mantida, pode mobilizar a base, mas também ampliar resistências em setores fundamentais da sociedade.
Há ainda o componente geracional. Eduardo representa uma nova leva de políticos de direita que tentam combinar a herança do passado com uma linguagem atualizada. Essa dualidade pode ser sua maior força ou sua maior fragilidade, dependendo de como for articulada.
O movimento de Eduardo também reacende o debate sobre personalismo na política brasileira. Sua candidatura reforça a ideia de que parte do eleitorado vota mais em nomes e símbolos do que em programas ou propostas concretas. Essa dinâmica tende a dominar novamente o debate público.
Não se pode esquecer que a eleição de 2026 será disputada em um ambiente de profunda polarização. Eduardo se insere nesse contexto como representante de uma ala que não abre mão da retórica combativa, o que pode garantir mobilização, mas dificultar consensos.
Em última análise, sua declaração marca o início oficial de uma corrida que promete ser intensa. A frase “com meu pai fora, eu sou candidato” é mais que um anúncio: é uma senha para que a militância se organize e comece a preparar terreno.
Resta saber se Eduardo Bolsonaro conseguirá transformar herança política em liderança efetiva. O desafio está lançado, e 2026 se anuncia como mais um capítulo de alta tensão na história recente da política brasileira.

