Trump restringe circulação de Alexandre Padilha, ministro de Lula em NY a 5 quarteirões de hotel e reuniões na ONU

O ministro da Saúde do Brasil, Alexandre Padilha, recebeu autorização para entrar nos Estados Unidos com visto diplomático, mas com restrições que limitam seus movimentos em Nova York. A medida acontece em meio à agenda da delegação brasileira na Assembleia Geral da ONU, que reúne autoridades de todo o mundo.

Embora tenha obtido o visto, o documento veio acompanhado de condições especiais. Padilha poderá circular apenas entre o hotel onde está hospedado, a sede da ONU e as representações diplomáticas brasileiras, ficando impedido de transitar livremente pela cidade.

Na prática, isso significa que ele terá sua locomoção limitada a um perímetro equivalente a cinco quarteirões ao redor do local de sua hospedagem. Fora desse espaço, só poderá se deslocar para reuniões previamente autorizadas.

As restrições também se estendem a seus familiares. Tanto a esposa quanto a filha do ministro, que o acompanham, estão submetidas às mesmas regras de circulação. Essa limitação reforça o caráter restritivo da decisão americana.

O motivo alegado para a imposição da medida remonta ao período em que Padilha esteve à frente do programa Mais Médicos, durante o governo Dilma Rousseff. Críticas e questionamentos diplomáticos anteriores ao programa teriam motivado esse tipo de tratamento.

No mês de agosto, o ministro havia solicitado a renovação de seu visto, que estava vencido desde 2024. A solicitação incluiu também familiares, cujos vistos foram previamente cancelados.

Padilha foi o último integrante da comitiva presidencial a conseguir autorização para entrada nos Estados Unidos. Outros ministros, como Ricardo Lewandowski, já haviam recebido seus vistos dias antes.

Apesar da limitação, o ministro deve participar da abertura da Assembleia-Geral da ONU, marcada para o dia 23 de setembro. Ele também está escalado para encontros de alto nível sobre saúde e doenças crônicas.

Sua agenda prevê ainda presença em reuniões paralelas, incluindo uma conferência internacional da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), programada para Washington. Essa participação pode exigir novas tratativas diplomáticas.

Especialistas em relações internacionais apontam que a restrição imposta a Padilha confronta dispositivos do tratado de 1947, que garante liberdade de circulação a autoridades estrangeiras em território norte-americano durante a Assembleia da ONU.

Para analistas, a decisão pode ser interpretada como gesto político. O histórico de tensões entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos contribui para esse cenário de desconfiança mútua.

Vale lembrar que, no ano anterior, o visto do ministro havia sido revogado, impossibilitando sua entrada nos EUA até que a questão fosse formalmente resolvida.

O Itamaraty formalizou o pedido de renovação em agosto, já prevendo a participação da delegação brasileira nos eventos internacionais. A demora gerou questionamentos dentro e fora do governo.

Ao ser perguntado sobre o atraso, Padilha reagiu com ironia, citando a música “Tô nem aí”. Disse: “Vocês estão mais preocupados com o visto do que eu. Não quero ir aos Estados Unidos. Só fica preocupado quem tem interesse em sair do Brasil ou fazer lobby de traição da pátria. Não é meu caso”.

O governo norte-americano notificou oficialmente a missão brasileira junto à ONU sobre as restrições. A comunicação detalhou os trajetos autorizados e o perímetro de deslocamento.

A medida levanta discussões sobre diplomacia e reciprocidade. Em episódios semelhantes, países têm respondido com restrições equivalentes a representantes americanos.

Autoridades dos EUA defendem que a restrição é prerrogativa do Estado anfitrião, embora tratados internacionais prevejam o contrário. Essa divergência de interpretação gera atrito constante em eventos multilaterais.

Juristas lembram que, além da questão legal, há impacto prático. Com a circulação limitada, Padilha pode perder a oportunidade de participar de encontros informais, muitas vezes tão importantes quanto os compromissos oficiais.

Para o Brasil, o episódio reforça a necessidade de avaliar respostas diplomáticas. Seja com protestos formais, pressão em organismos multilaterais ou até medidas de reciprocidade, o caso pode ter desdobramentos políticos significativos.

Em resumo, Alexandre Padilha participará das reuniões da ONU, mas sob vigilância e restrições inéditas. Confinado a cinco quarteirões em Nova York, o ministro enfrenta um episódio que expõe tensões entre soberania, diplomacia internacional e o respeito a tratados.

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