Quantas vezes já se falou dos ganhos com Ozempic e Mounjaro, mas quase nunca do que se perde além do peso?
Usuários dessas medicações começaram a relatar algo raro: alimentos com sabores alterados — doces demais, salgados demais, sensação diferente no paladar.
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O estudo apresentado na Reunião Anual da EASD (Associação Europeia para o Estudo do Diabetes) alerta que mudança no paladar pode ser um efeito subestimado.
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Cerca de 1 em cada 5 pessoas que usam Ozempic ou Mounjaro afirmam perceber essas diferenças gustativas.
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Não é apenas curiosidade ou desconforto: segundo relatos, a alteração no sabor coincide com aumento de saciedade ou diminuição do apetite.
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Em outras palavras: o remédio pode mudar não só o quanto se come, mas como se come. A percepção de comida pode se tornar estranha ou desagradável.
Esse efeito não está listado de forma destacada nas bulas ou nos guias brasileiros até onde verifiquei. Há aspectos oficiais que dizem respeito mais a impactos visuais, renais, digestivos — mas paladar aparece como algo novo.
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Há riscos por trás dessa novidade: se alguém deixa de comer certos alimentos porque não “sabem bem”, pode haver impacto nutricional — perda de variedade alimentar, evasão de nutrientes importantes.
Também pode gerar consequências psicológicas: frustração, culpa, resistência alimentar, medo de experimentar algo novo.
E há um componente social: em comunidades onde comer é parte central de convívio, família, cultura, essa mudança do paladar pode causar isolamento ou vergonha.
É importante sublinhar: ainda não se sabe quanto tempo essas alterações persistem, se são reversíveis ou permanentes. A pesquisa ainda está em fase inicial.
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Médicos endócrinos consultados alertam que efeitos conhecidos de Ozempic/Mounjaro — náuseas, distúrbios gastrointestinais, riscos de pâncreas ou rins — são mais bem documentados. Este efeito gustativo exige mais atenção.
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Por outro lado, os benefícios continuam sendo substanciais para muitos que vivem com obesidade ou diabetes: perda de peso, melhora metabólica, menor risco de complicações associadas.
A questão, portanto, não é descartar o uso dessas drogas, mas integrá-las num acompanhamento médico que inclua monitoramento sensorial, nutricional e psicológico.
Também deve haver transparência: usuários precisam ser avisados sobre essa possibilidade antes de iniciar o tratamento, para reduzir sustos e ajudar no manejo.
Se ignorarmos esse tipo de relato, estamos correndo risco de subestimar um efeito que pode minar a adesão ao tratamento ou criar danos secundários pouco visíveis.
Em suma: Ozempic e Mounjaro continuam promissores, mas o futuro do uso seguro delas dependerá do cuidado com o paladar — esse portal sensorial tão central à experiência humana.
O verdadeiro teste não é apenas emagrecer, mas preservar qualidade de vida. E isso inclui poder saborear a vida — literalmente.

