Pais Testemunhas de Jeová não aceitam transfusão de sangue para o bêbe de 3 meses, e Justiça intervém para salvar a criança

Pode a fé justificar a recusa de um tratamento médico vital?

Essa pergunta voltou ao centro do debate após um caso dramático no Paraná.

 

Um bebê de três meses, portador de síndrome de Down e cardiopatia congênita, foi internado em estado crítico.

Além das condições pré-existentes, enfrentava dengue grave e um quadro de sepse.

 

Diante da gravidade, médicos recomendaram uma transfusão de sangue imediata.

Mas os pais, seguidores das Testemunhas de Jeová, recusaram o procedimento.

 

A justificativa veio de sua interpretação das Escrituras.

Passagens como Levítico 17:12 e Atos 15:29 são lidas por eles como proibição do consumo ou transfusão de sangue.

 

O dilema não era novo.

Entre o direito à liberdade religiosa e o direito à vida, qual deve prevalecer?

 

O caso foi levado à Justiça.

E o juiz da Vara da Infância e Juventude de Maringá, Robespierre Foureaux Alves, tomou uma decisão urgente.

 

Determinou que a transfusão fosse realizada, ainda que contra a vontade dos pais.

Para ele, a proteção da vida da criança se sobrepunha ao dogma religioso.

 

A intervenção judicial salvou a vida do bebê.

Mas deixou aberta uma questão moral que transcende os tribunais.

 

Até onde vai o direito dos pais sobre seus filhos?

E até que ponto o Estado pode interferir em nome da sobrevivência?

 

Críticos da decisão apontam risco de violar a autonomia religiosa.

Defensores, por outro lado, lembram que a Constituição brasileira garante a primazia da vida.

 

Não se trata apenas de um conflito entre fé e ciência.

Mas de um embate profundo sobre os limites da liberdade individual em uma sociedade plural.

 

Casos como esse escancaram a fragilidade das fronteiras éticas.

E obrigam a sociedade a revisitar constantemente seus próprios valores.

 

Afinal, quando a vida de uma criança está em jogo, até que ponto a convicção dos pais pode se sobrepor ao direito de viver?

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