Integrantes do PSOL participam de flotilha rumo à Faixa de Gaza para desafiar bloqueio israelense

Membros do PSOL embarcam em flotilha com destino à Faixa de Gaza com objetivo de romper bloqueio israelense.

No próximo domingo (31), sairá de Barcelona uma nova flotilha internacional que busca desafiar o bloqueio imposto por Israel à Faixa de Gaza. Entre os 13 brasileiros que participam da iniciativa estão a vereadora Mariana Conti, de Campinas, do PSOL, e a presidente da legenda no Rio Grande do Sul, Gabrielle Tolotti (1/20).

As embarcações que partem da capital catalã contam com o apoio e mobilização direta da ativista sueca Greta Thunberg, que promove a operação como uma missão humanitária, com mais de 40 países envolvidos (2/20).

Em anúncio feito nas redes sociais no dia 12 de agosto, Greta afirmou: “Em 31 de agosto, lançaremos a maior tentativa até agora para romper o cerco ilegal israelense a Gaza, com dezenas de navios partindo da Espanha. Nos juntaremos a dezenas de outros navios em 4 de setembro, partindo da Tunísia e de outros portos” (3/20).

No grupo brasileiro também está o ativista brasiliense Thiago Ávila, que já teve experiência semelhante ao ser detido por Israel em junho. Ele segue engajado nesta nova tentativa (4/20).

A operação representa uma continuidade de ações anteriores malsucedidas. Num episódio anterior, navios chegaram a ser interceptados e alguns ativistas foram detidos — entre eles, uma senhora que tentava ocultar haxixe, segundo informações da imprensa israelense (5/20).

Israel justifica as interceptações com base em uma área marítima considerada restrita por motivos de segurança. O país afirma que doações para a Faixa de Gaza poderiam ser feitas por meio do porto de Ashdod (6/20).

Além disso, o governo de Benjamin Netanyahu critica o gesto como “encenação midiática”, comparando a tímida quantidade de suprimentos levados pela flotilha com os “1,8 milhão de toneladas de ajuda” que Israel afirma ter enviado ao enclave (7/20).

Para especialistas como Daphne Klajman, coordenadora acadêmica do Hillel Rio e analista em antissemitismo, a ação tem natureza eminentemente simbólica. Segundo ela, os participantes embarcam sabendo que serão interceptados e retornarão ao país pacificamente (8/20).

Klajman aponta ainda que os ativistas voltaram em segurança no passado, recebendo tratamento respeitoso e até fotografias descontraídas (ela lembra “fotos da Greta no avião, como qualquer outro passageiro, arrumadinha, comendo comida como todo mundo, de suéter, de uma forma completamente pacífica”) (9/20).

Isso reforça a percepção de que a flotilha serve como expediente para gerar visibilidade na mídia: “É completamente calculado, porque eles precisam da atenção da mídia, ela sabe que vai ser interceptada, ela sabe que não vai entrar em Gaza, mas todo esse show vai trazer muita manchete para ela” (10/20).

A trajetória pessoal de Thunberg é destacada pela especialista: seu ativismo ambiental, que a elevou ao status de referência mundial, hoje foi deslocado para a causa pró-Palestina, especialmente porque tem maior repercussão midiática (11/20).

Klajman também faz uma analogia entre a situação dos ativistas e dos reféns israelenses. Enquanto os primeiros passam por processo de deportação em voos comerciais normais e sem constrangimento, os reféns estão há quase dois anos em Gaza, sem perspectiva de volta (12/20).

Ela afirma que os ativistas não são tratados com hostilidade — ao contrário, recebem alimentação, alojamento com conforto e tratamento digno —, o que contrasta com o drama contínuo enfrentado pelos reféns israelenses (13/20).

O discurso de serem “reféns do governo israelense” que alguns ativistas recorrem é desmistificado por Klajman: o processo legal segue normas hegemônicas internacionais e não representa abuso ou ilegalidade (14/20).

Segundo ela, todas as pessoas interceptadas são tratadas com respeito aos direitos, como em situações de deportação administrativa padrão — e não como detidos hostis (15/20).

Além disso, a especialista enfatiza que, enquanto a flotilha funciona como espetáculo público, os verdadeiros reféns israelenses seguem sob domínio do Hamas, sem perspectiva de solução ou repatriação (16/20).

Essa dicotomia coloca em evidência não só o contraste entre os perfis das pessoas envolvidas, mas também o uso político da mídia em torno de eventos com forte carga simbólica (17/20).

O caráter teatral e autodeclarado da ação se apresenta como estratégia para gerar debates e compor narrativas que unem justiça humanitária, ativismo e crítica ao bloqueio marítimo (18/20).

Ademais, a presença de brasileiros como Mariana Conti, Gabrielle Tolotti e Thiago Ávila na flotilha amplia o alcance nacional da iniciativa e insere o PSOL no protagonismo das pautas internacionais (19/20).

Em resumo, essa nova tentativa de furar o bloqueio israelense à Faixa de Gaza é carregada de simbolismo e exposição midiática. Ainda que improvável na prática, o ato traduz um posicionamento político consciente, com repercussões além do embarque em si — especialmente no âmbito do ativismo internacional e nas redes partidárias brasileiras (20/20).

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