Em uma entrevista exclusiva à RECORD, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reafirmou seu compromisso com o desenvolvimento econômico do Brasil, esclarecendo que seu retorno ao cargo não se tratou de um gesto simbólico ou passageiro. Segundo Lula, seu objetivo é conduzir o país a um novo patamar global, consolidando-o como uma das maiores economias do mundo. “Eu voltei para fazer com que o país se transforme em uma das seis maiores economias do mundo”, declarou o presidente, ressaltando a importância estratégica de políticas consistentes e planejadas. Atualmente, conforme dados da Austin Rating, o Brasil ocupa a 10ª posição no ranking global, um patamar que Lula pretende superar através de reformas estruturais, investimentos e integração internacional.
Durante a conversa, Lula abordou a relevância do multilateralismo nas relações internacionais e destacou sua visão de um mundo mais equilibrado. Em tom descontraído, o presidente brincou sobre a possibilidade de convidar o G7 a integrar o Brics, bloco que reúne economias emergentes e que tem se consolidado como um contraponto ao protagonismo tradicional das potências ocidentais. O comentário surgiu no contexto das recentes tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, uma medida criticada pelo presidente, que enfatizou os impactos econômicos para ambas as nações, principalmente para os consumidores norte-americanos.
Lula criticou indiretamente a postura do ex-presidente Donald Trump, afirmando que ele se comporta como se fosse “dono do mundo”. Entretanto, o presidente brasileiro destacou que as sobretaxas impostas não prejudicam apenas o Brasil, mas principalmente o povo dos Estados Unidos, que terá de arcar com produtos mais caros. O alerta de Lula reforça a necessidade de negociações comerciais justas, enfatizando que a globalização deve gerar benefícios recíprocos e não apenas vantagens unilaterais.
O presidente também rebateu alegações de que a participação do Brasil no Brics e a aproximação com a China teriam motivado as tarifas impostas pelos Estados Unidos. Segundo ele, tais interpretações são equivocadas e demonstram desconhecimento sobre a política internacional. “Quem fala mal do Brics não sabe que 10 países do Brics fazem parte do G20. Não sabe que dos Brics, quatro países são convidados ao G7 em toda reunião. Eu estou quase convidando o G7 para entrar no Brics, estou quase convidando o G20, porque aí fica tudo uma coisa só, não tem problema”, ironizou Lula, demonstrando domínio sobre a geopolítica global.
O comentário irônico do presidente reforça a visão de que blocos econômicos, embora distintos, possuem interesses interligados e que a integração entre eles pode favorecer um sistema internacional mais harmonioso. Lula utiliza essa perspectiva para criticar abordagens unilaterais que desconsideram a interdependência econômica e política entre países emergentes e desenvolvidos.
Ao longo da entrevista, o presidente reiterou sua defesa por negociações mais equilibradas no comércio internacional. “O que queremos é que através da Organização Mundial do Comércio possamos ter negociações em que todos possam ganhar. Um jogo de ganha e ganha. Não é um jogo que só o grande ganha”, destacou, ressaltando a necessidade de criar mecanismos que evitem a concentração de poder econômico e a exploração desigual de mercados menores.
Lula também comentou sobre a importância de fortalecer a democracia global, criticando líderes que adotam posturas autoritárias ou centralizadoras. Segundo ele, “o mundo não tem mais espaço para figuras de imperador”, reforçando que o respeito às normas internacionais e aos tratados multilaterais é crucial para manter a estabilidade econômica e política.
O presidente acrescentou que o diálogo e a negociação são instrumentos indispensáveis para resolver conflitos comerciais e diplomáticos. “O que queremos é que Trump respeite a carta da ONU, o protocolo de Comércio e se sente na mesa para negociar”, afirmou, defendendo a aplicação de regras internacionais que garantam transparência e reciprocidade entre países.
Lula também abordou a questão das tarifas sob a ótica do impacto sobre a população. Ele alertou que, em muitos casos, medidas protecionistas adotadas por grandes economias acabam penalizando os consumidores comuns, prejudicando a classe média e as pequenas empresas, que dependem da importação de produtos para manter seus negócios competitivos.
O presidente destacou que a relação com o Brics é estratégica para diversificar mercados e fortalecer o Brasil frente a oscilações de economias tradicionais. Para Lula, integrar-se a blocos emergentes proporciona maior autonomia, segurança econômica e influência política, criando uma rede de cooperação que transcende rivalidades geopolíticas.
Ao tratar das críticas feitas pelo governador Romeu Zema (Novo), que associou as tarifas à participação do Brasil no Brics, Lula esclareceu que o bloco reúne economias emergentes que enfrentam desafios comuns, incluindo medidas protecionistas aplicadas por grandes potências. A interação entre essas nações, segundo ele, não constitui ameaça, mas sim uma resposta organizada às pressões globais.
Lula reforçou que o Brics — inicialmente formado por Brasil, Rússia, Índia e China — atua como espaço de cooperação para o desenvolvimento econômico sustentável e a defesa de interesses coletivos. Ele sublinhou que cada membro enfrenta desafios similares no comércio internacional, tornando o bloco um fórum relevante para negociações justas.
O presidente também ressaltou que o Brics é complementar ao G20, demonstrando que a atuação em diferentes fóruns multilaterais não se exclui, mas sim se potencializa. Para Lula, essas interações permitem que o Brasil amplie sua presença internacional e negocie de forma mais equilibrada com as grandes economias mundiais.
Durante a entrevista, Lula abordou ainda a necessidade de políticas internas que preparem o país para crescer de forma sustentável, citando investimentos em infraestrutura, educação e tecnologia como pilares fundamentais. Segundo ele, o fortalecimento da economia doméstica é crucial para aumentar a competitividade global.
Em suas declarações, o presidente enfatizou que o crescimento econômico deve ser acompanhado de justiça social. Ele ressaltou a importância de programas que promovam inclusão, redução de desigualdades e acesso a oportunidades, consolidando um modelo de desenvolvimento que beneficie toda a população.
Lula também falou sobre o papel do Brasil na política internacional contemporânea, destacando a necessidade de um país atuante, negociador e capaz de mediar conflitos regionais. Segundo ele, a diplomacia proativa fortalece a posição do Brasil no cenário global e garante vantagens estratégicas em tratados comerciais.
O presidente ainda ironizou interpretações equivocadas sobre suas relações internacionais, ressaltando que críticas baseadas em desinformação não refletem a realidade das negociações multilaterais. Lula reforçou que o Brasil busca sempre soluções que sejam benéficas para todos os envolvidos, priorizando o equilíbrio e a cooperação.
Ao comentar sobre as relações com os Estados Unidos, Lula reiterou que o diálogo é mais eficaz do que sanções ou medidas punitivas. Ele defendeu a construção de um ambiente diplomático baseado no respeito mútuo e na busca de consensos, evitando confrontos desnecessários que prejudicam as economias.
A entrevista também trouxe à tona a visão de Lula sobre globalização e comércio justo. Ele defendeu a ampliação de oportunidades para países emergentes e criticou práticas comerciais que favorecem apenas economias consolidadas, destacando a importância de criar um sistema mais equitativo e transparente.
Em síntese, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reforçou seu compromisso com o crescimento econômico do Brasil, a defesa do multilateralismo e a necessidade de negociações comerciais equilibradas. Suas declarações destacam a estratégia de fortalecer o país internamente, ampliar a presença internacional e garantir que o desenvolvimento seja sustentável e inclusivo, promovendo o respeito às normas globais e a cooperação entre nações.

