O mais recente levantamento do Instituto Gerp traduz um cenário eleitoral carregado de nuances: Michelle Bolsonaro (PL) emerge como favorita em um possível segundo turno, com expressivos 56% das intenções de voto, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) figura atrás, com 44%, conforme divulgado amplamente nos dias recentes.
A pesquisa foi realizada entre 22 e 27 de agosto de 2025, com uma amostra de 2.000 eleitores de diversas regiões do Brasil, e apresenta margem de erro de aproximadamente 2,2 pontos percentuais.
Segundo a análise do Instituto Gerp, Michelle conseguiu construir e ampliar sua vantagem ao explorar críticas direcionadas ao ex-presidente Lula. Essa estratégia teria sido eficaz para abrir uma diferença de 12 pontos percentuais entre os dois candidatos.
Esse avanço da ex-primeira-dama aparece como um movimento estratégico, reforçado por uma crescente base de apoio em vários estados, o que fortalece sua posição numa disputa acirrada.
O contexto temporal da pesquisa é crucial: realizada na última semana de agosto de 2025, o levantamento capta uma conjuntura dinâmica, quando as campanhas começam a intensificar suas ações e mensagens.
Mesmo com a vantagem numérica de Michelle, Lula não está completamente fora da disputa. A diferença ainda concentra-se dentro de uma margem de confiabilidade estatística, o que sinaliza que o cenário pode ser volátil conforme a campanha avança.
Esse resultado também chama atenção para a maleabilidade do eleitorado. Aumentar 12 pontos percentuais contra um adversário historicamente forte exige combinação de fatores comunicacionais bem calibrados e repercussão regional eficiente.
Dentro desse quadro, a consolidação da candidatura de Michelle se dá em meio a uma campanha de imagem positiva, que se contrapõe a um petista enfrentando desgaste político e desafios de mobilização.
A estratégia da ex-primeira-dama parece alinhada ao momento político de 2025, com deslocamentos frequentes, aparições públicas e articulação junto a setores que antes estiveram com Jair Bolsonaro.
Por sua vez, Lula, apesar de à frente em muitas pesquisas anteriores, vê sua liderança ameaçada nesse levantamento específico, principalmente em uma disputa direta com Michelle.
Além disso, os dados reforçam a percepção de que essa eleição está longe de ser definida. Uma diferença de 12 pontos pode ser revertida ou ampliada rapidamente com debates, ataques ou eventos imprevistos.
O Instituto Gerp, com método robusto, utilizando entrevistas assistidas por computador (CATI) por telefone, segue demonstrando potencial de captar nuances do eleitorado, sobretudo em momentos-chave.
Comparativamente, o registro anterior do Gerp no fim de julho mostrava Lula à frente, com 46%, contra 38% da ex-primeira-dama, indicando uma curva favorável a Michelle ao longo do último mês.
Esse movimento ascendente da candidatura de Michelle reforça o papel do tempo e do momentum nas campanhas: atrasos nas respostas, desgaste ou falta de propostas podem custar caro a qualquer aspirante.
Em paralelo, outras pesquisas mostram disputas mais equilibradas entre Lula e Michelle, inclusive com leve vantagem petista ou empate técnico em determinados momentos, sinalizando como o tabuleiro permanece fragmentado.
À luz desses números, os caminhos de campanha ganham relevância: mobilizar bases regionais, afinar narrativa e fortalecer “lastros” eleitorais tornam-se pilares indispensáveis para sustentar o crescimento.
Para Lula, a leitura pode ser de alerta: manter a liderança passa a exigir resposta rápida aos avanços de Michelle, ajustes na comunicação e presença forte no campo eleitoral.
Já Michelle, com o indicador positivo em mãos, pode buscar ampliar sua visibilidade, reforçar alianças e consolidar essa vantagem com agendas que conversem com diferentes públicos.
Por fim, esse cenário reforça a incerteza do calendário eleitoral. Com pouco mais de um ano até as eleições de 2026, os próximos eventos — debates, convenções e alianças — podem redesenhar o mapa da disputa de forma drástica.

